2015/04/09

Erros...

Percebi que não sei lidar com as novas regras sociais e amorosas. Acho que são mutantes - meio X-Man com cromossomos alterados pela ubiquididade e quantidade de pessoas e estranhos poderes demonstrados por meio de nossos celulares com nomes estranhos como Facebook ou WhatsApp.
Não que tenha medo do diferente. Sempre achei que novidades são boas - desde alcaparras na comida até viagens à Bolívia, que seja. Mas tenho a estranha sensação de que piso em ovos e sempre os quebro.
Como lidar com pessoas 24 horas conectadas? Todos temos aquela necessidade fresca & neurótica de elaborar sofrimentos e rejeições e amarguras e pequenos melodramas cotidianos para depois conversar. Pois é - agora podemos tagarelar sobre isso todo o tempo com chiados do celular.
E os relacionamentos? Ás vezes parecem mais sólidos quando virtuais e descartáveis quando reais. Pode-se conhecer pessoas com base apenas em uma foto ou conversar com alguém a todo momento sem que a distância seja um problema. Pode-se estar presente todo o tempo sem nunca estar perto. Pode-se também estar ausente apenas esquecendo o smartphone no bolso.
Também estranho o conceito de ficar e sua assepsia indolor. Distanciamo-nos para não magoar e não chegamos perto para não sermos magoados. Fica o dilema: como brincar sem se queimar? Ninguém escreveu as regras. Não se sabe mais quais são.
Nao se dá mais valor aos encontros onde saem faíscas e as horas passam sem perceber. Quando se tem uma sintonia de gostos e opinioes que não se consegue esquecer. Essa assepsia nos engana (me engana) e nos fazem errar, sem perceber quao dificil e raro e de acontecer. Nao sei (soube) reconhecer o que e importante, pois parece que o celular e um amigo que cura toda solidao.
Imagino que estamos todos em uma roda gigante  - todos tontos com a mudança da paisagem, mas parados no mesmo lugar. No fundo, no fundo, todos queremos o par de sapatos feitos para o pé, suspiramos com os contos de amor eterno e acreditamos que existe a cara-metade. Ai, mas como a facilidade atrapalha!

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