Percebi que não sei lidar com as novas regras sociais e amorosas.
Acho que são mutantes - meio X-Man com cromossomos alterados pela
ubiquididade e quantidade de pessoas e estranhos poderes demonstrados
por meio de nossos celulares com nomes estranhos como Facebook ou
WhatsApp.
Não que tenha medo do diferente. Sempre achei que novidades são
boas - desde alcaparras na comida até viagens à Bolívia, que seja.
Mas tenho a estranha sensação de que piso em ovos e sempre os
quebro.
Como lidar com pessoas 24 horas conectadas? Todos temos aquela
necessidade fresca & neurótica de elaborar sofrimentos e
rejeições e amarguras e pequenos melodramas cotidianos para depois
conversar. Pois é - agora podemos tagarelar sobre isso todo o tempo
com chiados do celular.
E os relacionamentos? Ás vezes parecem mais sólidos quando
virtuais e descartáveis quando reais. Pode-se conhecer pessoas com
base apenas em uma foto ou conversar com alguém a todo momento sem que
a distância seja um problema. Pode-se estar presente todo o tempo
sem nunca estar perto. Pode-se também estar ausente apenas
esquecendo o smartphone no bolso.
Também estranho o conceito de ficar e sua assepsia indolor.
Distanciamo-nos para não magoar e não chegamos perto para não
sermos magoados. Fica o dilema: como brincar sem se queimar? Ninguém
escreveu as regras. Não se sabe mais quais são.
Nao se dá mais valor aos encontros onde saem faíscas e as horas
passam sem perceber. Quando se tem uma sintonia de gostos e opinioes
que não se consegue esquecer. Essa assepsia nos engana (me engana) e
nos fazem errar, sem perceber quao dificil e raro e de acontecer. Nao
sei (soube) reconhecer o que e importante, pois parece que o celular
e um amigo que cura toda solidao.
Imagino que estamos todos em uma roda gigante - todos tontos
com a mudança da paisagem, mas parados no mesmo lugar. No fundo, no
fundo, todos queremos o par de sapatos feitos para o pé, suspiramos
com os contos de amor eterno e acreditamos que existe a cara-metade.
Ai, mas como a facilidade atrapalha!
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