I'd sooner chew my leg off
Than be trapped in this
How easy you think of all of this as bittersweet me
I couldn't taste it
I'm tired and naked
I don't know what I'm hungry for
I don't know what I want anymore
Bitter Sweet me - R. E. M.
Preciso fazer exercícios. Não fui à academia. Vou voltar a malhar.
Tenho que chegar cedo de forma exemplar e sair mais tarde. Não vou mais trabalhar de ressaca.
Mesmo malhando preciso comer menos. Fugi muito da dieta. Tenho que evitar fast-food.
Vou cumprimentar diariamente os colegas do trabalho. Tenho que conversar mais, não ser tão antissocial.
Tenho que tentar dormir bem, dormir cedo, ter horário regrado.
Preciso ver menos TV, fazer coisas mais produtivas como estudar ou ficar deitado olhando para o teto.
Preciso ter mais paciência e não ficar estressado buzinando como louco em engarrafamentos ou me enervar com o forró alto tocado pelo vizinho.
Tenho que evitar o alcool e os pileques de fim de semana.
Farei questão de ler mais e evitar a Internet e suas estranhas tentações.
Preciso ter uma vida tranquila, sem sobresaltos, alarmes ou surpresas.
Quanto a ser feliz? Não é o mesmo que viver como uma propaganda de margarina?
2015/04/14
2015/04/09
Erros...
Percebi que não sei lidar com as novas regras sociais e amorosas.
Acho que são mutantes - meio X-Man com cromossomos alterados pela
ubiquididade e quantidade de pessoas e estranhos poderes demonstrados
por meio de nossos celulares com nomes estranhos como Facebook ou
WhatsApp.
Não que tenha medo do diferente. Sempre achei que novidades são boas - desde alcaparras na comida até viagens à Bolívia, que seja. Mas tenho a estranha sensação de que piso em ovos e sempre os quebro.
Como lidar com pessoas 24 horas conectadas? Todos temos aquela necessidade fresca & neurótica de elaborar sofrimentos e rejeições e amarguras e pequenos melodramas cotidianos para depois conversar. Pois é - agora podemos tagarelar sobre isso todo o tempo com chiados do celular.
E os relacionamentos? Ás vezes parecem mais sólidos quando virtuais e descartáveis quando reais. Pode-se conhecer pessoas com base apenas em uma foto ou conversar com alguém a todo momento sem que a distância seja um problema. Pode-se estar presente todo o tempo sem nunca estar perto. Pode-se também estar ausente apenas esquecendo o smartphone no bolso.
Também estranho o conceito de ficar e sua assepsia indolor. Distanciamo-nos para não magoar e não chegamos perto para não sermos magoados. Fica o dilema: como brincar sem se queimar? Ninguém escreveu as regras. Não se sabe mais quais são.
Nao se dá mais valor aos encontros onde saem faíscas e as horas passam sem perceber. Quando se tem uma sintonia de gostos e opinioes que não se consegue esquecer. Essa assepsia nos engana (me engana) e nos fazem errar, sem perceber quao dificil e raro e de acontecer. Nao sei (soube) reconhecer o que e importante, pois parece que o celular e um amigo que cura toda solidao.
Imagino que estamos todos em uma roda gigante - todos tontos com a mudança da paisagem, mas parados no mesmo lugar. No fundo, no fundo, todos queremos o par de sapatos feitos para o pé, suspiramos com os contos de amor eterno e acreditamos que existe a cara-metade. Ai, mas como a facilidade atrapalha!
Não que tenha medo do diferente. Sempre achei que novidades são boas - desde alcaparras na comida até viagens à Bolívia, que seja. Mas tenho a estranha sensação de que piso em ovos e sempre os quebro.
Como lidar com pessoas 24 horas conectadas? Todos temos aquela necessidade fresca & neurótica de elaborar sofrimentos e rejeições e amarguras e pequenos melodramas cotidianos para depois conversar. Pois é - agora podemos tagarelar sobre isso todo o tempo com chiados do celular.
E os relacionamentos? Ás vezes parecem mais sólidos quando virtuais e descartáveis quando reais. Pode-se conhecer pessoas com base apenas em uma foto ou conversar com alguém a todo momento sem que a distância seja um problema. Pode-se estar presente todo o tempo sem nunca estar perto. Pode-se também estar ausente apenas esquecendo o smartphone no bolso.
Também estranho o conceito de ficar e sua assepsia indolor. Distanciamo-nos para não magoar e não chegamos perto para não sermos magoados. Fica o dilema: como brincar sem se queimar? Ninguém escreveu as regras. Não se sabe mais quais são.
Nao se dá mais valor aos encontros onde saem faíscas e as horas passam sem perceber. Quando se tem uma sintonia de gostos e opinioes que não se consegue esquecer. Essa assepsia nos engana (me engana) e nos fazem errar, sem perceber quao dificil e raro e de acontecer. Nao sei (soube) reconhecer o que e importante, pois parece que o celular e um amigo que cura toda solidao.
Imagino que estamos todos em uma roda gigante - todos tontos com a mudança da paisagem, mas parados no mesmo lugar. No fundo, no fundo, todos queremos o par de sapatos feitos para o pé, suspiramos com os contos de amor eterno e acreditamos que existe a cara-metade. Ai, mas como a facilidade atrapalha!
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