Às Margens da Estrada de Pedra Eu Sentei e Sorri *
* Pelo Mago Fabiano Santiago
Continuando meu longo caminho, enxerguei sentada tristemente em um canteiro uma velha senhora toda de branco, com um vestido esvoaçante ao vento roçando um ramalhete de flores e capim. Parecia diáfana, flutuando entre a incerta força da vida e a insegurança que o desconhecimento do destino nos traz.
Sentei-me ao seu lado e tentei entender sua melancolia e ajudá-la com minhas humildes palavras.
Ela me falou de sua dor, de como não entendia as estradas tortuosas do saber humano e de como todos nós buscam abrigo em outros, sem perceber que a verdadeira proteção está no gosto do amor etéreo, êfemero em aparência, eterno em amplitude, terno em vivacidade.
Falei de como o tempo é rápido como um sopro e como faz com que a vida escorra entre nossas mãos sem que percebamos. Alegrei-a contando como a natureza é bela, mostrando a alegria das andorinhas flutuando e os raios de sol descendo das alturas e trazendo o abono das horas e o sêmem da eternidade.
Expliquei que do mesmo modo como a dor a havia encontrado, a felicidade também poderia buscá-la como uma fragosa e alcantilada vereda, a qual nos esmorece o coração, mas não nos encaminha ao lugar eterno dos condenados.
E assim a ajudei a encontrar uma paz momentânea, agora acordada pra vida, quebrando o vento com seus ares, sorrindo para suas preciosidades.
2004/09/10
2004/09/08
A Senhora da Esquina
Estava de frente para a rua, aguardando, quando ela me viu. Encaminhou-se na minha direção sem cerimônias, como se já me conhecesse.
-O senhor sabe se por aqui passa o ônibus que vai para ....
Ainda estou em uma idade em que gosto de ser chamado de senhor, principalmente por uma pessoa mais velha. Dispus-me a ajudar, com o pouco que sabia e expliquei à senhora. Ela olhou parao chão e fez o pedido.
- Será que o senhor poderia me conseguir um dinheirinho para inteirar a passagem? Só tenho 50 centavos.
Olhei para a mão estendida com a pequena moeda e entendi o motivo de tanta educação. Abri a carteira e pus a nota de 1 real em suas mãos. Ela me olhou feliz e agradeceu.
- Que Deus lhe dê muita saúde, felicidade e uma namorada BEM BOA!
Fiquei surpreso com o final do agradecimento. Examinei o rosto da recém conhecida procurando por algum traço brincalhão ou irônico. Ela me fitava de forma séria, aguardando que me despedisse.
Encolhi os ombros. Então fiz a minha própria interpretação do adjetivo guardado para a minha namorada e dei outro real para a senhora para garantir. Quem sabe?
-O senhor sabe se por aqui passa o ônibus que vai para ....
Ainda estou em uma idade em que gosto de ser chamado de senhor, principalmente por uma pessoa mais velha. Dispus-me a ajudar, com o pouco que sabia e expliquei à senhora. Ela olhou parao chão e fez o pedido.
- Será que o senhor poderia me conseguir um dinheirinho para inteirar a passagem? Só tenho 50 centavos.
Olhei para a mão estendida com a pequena moeda e entendi o motivo de tanta educação. Abri a carteira e pus a nota de 1 real em suas mãos. Ela me olhou feliz e agradeceu.
- Que Deus lhe dê muita saúde, felicidade e uma namorada BEM BOA!
Fiquei surpreso com o final do agradecimento. Examinei o rosto da recém conhecida procurando por algum traço brincalhão ou irônico. Ela me fitava de forma séria, aguardando que me despedisse.
Encolhi os ombros. Então fiz a minha própria interpretação do adjetivo guardado para a minha namorada e dei outro real para a senhora para garantir. Quem sabe?
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