2004/09/10

Conto Meu: Série "Treinando literatura com retorno financeiro"

Às Margens da Estrada de Pedra Eu Sentei e Sorri *

* Pelo Mago Fabiano Santiago

Continuando meu longo caminho, enxerguei sentada tristemente em um canteiro uma velha senhora toda de branco, com um vestido esvoaçante ao vento roçando um ramalhete de flores e capim. Parecia diáfana, flutuando entre a incerta força da vida e a insegurança que o desconhecimento do destino nos traz.
Sentei-me ao seu lado e tentei entender sua melancolia e ajudá-la com minhas humildes palavras.
Ela me falou de sua dor, de como não entendia as estradas tortuosas do saber humano e de como todos nós buscam abrigo em outros, sem perceber que a verdadeira proteção está no gosto do amor etéreo, êfemero em aparência, eterno em amplitude, terno em vivacidade.
Falei de como o tempo é rápido como um sopro e como faz com que a vida escorra entre nossas mãos sem que percebamos. Alegrei-a contando como a natureza é bela, mostrando a alegria das andorinhas flutuando e os raios de sol descendo das alturas e trazendo o abono das horas e o sêmem da eternidade.
Expliquei que do mesmo modo como a dor a havia encontrado, a felicidade também poderia buscá-la como uma fragosa e alcantilada vereda, a qual nos esmorece o coração, mas não nos encaminha ao lugar eterno dos condenados.
E assim a ajudei a encontrar uma paz momentânea, agora acordada pra vida, quebrando o vento com seus ares, sorrindo para suas preciosidades.

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