Ontem ao adentrar no apartamento e perceber que estava sozinho senti uma sensação estranha, aguda como uma fratura exposta. Um vazio sentimental, uma necessidade de ter uma parceira ao meu lado, para conversar, trocar carinhos. Eu estava precisando de colo.
Não estou habituado a sentir-me só. Na verdade sempre valorizei meu lado ermitão, de não precisar de ajuda ou companhia no dia-a-dia. Sempre gostei de me manter fechado e de tentar controlar o quanto eu me entregava às namoradas e casos. Meu lado racional e controlador trabalhava tentando me preservar de uma possível decepção, evitando gostar de alguém. Fiz isso por tanto tempo, tornou-se tão arraigado que nunca sofri por alguém nos últimos 10 anos. Não me deixei gostar.
As namoradas sentiam-me distante e os relacionamentos nunca foram longos. Eu sempre pesei o quanto poderia ser magoado e demonstrei até onde elas poderiam ir. Nunca falei que gostava de alguém. Nunca enviei flores, poesias, ou fiz algum demonstração de que gostava muito.
O engraçado é que hoje olho para trás e sinto que não vivi esses anos corretamente. Não me deixei sofrer, porém não me senti feliz. Este sentimento já me acompanha há algum tempo e eu decidi mudar esse lado desde que ao terminar meu último (penúltimo?) relacionamento fui confrontado com essa verdade pela namorada (que agora vejo que realmente gostava de mim).
E ontem a solidão se mostrou, de uma forma que só quem guarda sentimentos até que eles transbordem sabe. Também contribuiu o fato de que estou tentando mudar e que agora me sinto mais próximo ao me relacionar. Toda mudança dói.
Houve um lado bom. Liguei para excelentes amigos e escutei o que precisava (thanxs Santana & Doug). Ajudaram-me muito.
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