2004/07/08

Alma Gêmea

Domingo último conversei com um velho amigo, o Dougo. Não conheço pessoa mais especial, seja por suas opiniões e convicções, únicas; seja por insistir em vivê-las, quando seria muito mais fácil apenas falar, e não fazer. Como fazia tempos que não conversávamos (uns 6 meses), Doug não estava atualizado em relação à minha vida.
- Fabee, está namorando?
- No momento não Doug. Estou solto no mundo. Essa vida de nômade dos últimos meses faz com que eu terminasse aquele último namoro ....
- Fabee, não se preocupe, pois Deus irá encontrar a mulher certa para vc.
Após a conversa, essa última frase me fez pensar bastante. Caro leitor, apesar da menção ao nome divino, Dougo não estava tentando pregar para mim. Ele realmente acredita que cada um de nós possui uma Alma Gêmea única, escolhida por Deus e com a qual iremos viver felizes pelo resto de nossas vidas. Foi assim ao encontrar a Tati, esposa e quase mamãe. Impressiona o modo como ele fala da esposa, como se fosse a única mulher no mundo, e como um estava destinado ao outro.
Em um mundo onde é comum primeiro se fazer sexo para depois o casal pensar se deseja ver um ao outro no dia seguinte, meu amigo é um caso único. As pessoas com quem convivo costumam ter casos extraconjugais quando casados - entre homens o comportamento é aceito e tacitamente protegido. Os que da minha idade ainda estão solteiros, possuem um medo crônico de compromisso (assumo que também o tenho); de perder a liberdade ao casar-se ou de engravidar alguém e , em casos crônicos, até mesmo de namorar.
A liberdade em excesso trouxe relacionamentos numerosos, rápidos e fúteis. Não que eu a rejeite; no entanto havia algo naquele namoro restrito de nossos avós que foi perdido nos dias de hoje. Inocência? Talvez. Um pouco de romantismo não faz mal. Talvez apenas a facilidade tenha feito com que hoje, minha geração não dê o devido valor a encontrar a cara metade.
Dougo, tenho orgulho de ser seu amigo.

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