Às Margens da Estrada de Pedra Eu Sentei e Sorri *
* Pelo Mago Fabiano Santiago
Continuando meu longo caminho, enxerguei sentada tristemente em um canteiro uma velha senhora toda de branco, com um vestido esvoaçante ao vento roçando um ramalhete de flores e capim. Parecia diáfana, flutuando entre a incerta força da vida e a insegurança que o desconhecimento do destino nos traz.
Sentei-me ao seu lado e tentei entender sua melancolia e ajudá-la com minhas humildes palavras.
Ela me falou de sua dor, de como não entendia as estradas tortuosas do saber humano e de como todos nós buscam abrigo em outros, sem perceber que a verdadeira proteção está no gosto do amor etéreo, êfemero em aparência, eterno em amplitude, terno em vivacidade.
Falei de como o tempo é rápido como um sopro e como faz com que a vida escorra entre nossas mãos sem que percebamos. Alegrei-a contando como a natureza é bela, mostrando a alegria das andorinhas flutuando e os raios de sol descendo das alturas e trazendo o abono das horas e o sêmem da eternidade.
Expliquei que do mesmo modo como a dor a havia encontrado, a felicidade também poderia buscá-la como uma fragosa e alcantilada vereda, a qual nos esmorece o coração, mas não nos encaminha ao lugar eterno dos condenados.
E assim a ajudei a encontrar uma paz momentânea, agora acordada pra vida, quebrando o vento com seus ares, sorrindo para suas preciosidades.
2004/09/10
2004/09/08
A Senhora da Esquina
Estava de frente para a rua, aguardando, quando ela me viu. Encaminhou-se na minha direção sem cerimônias, como se já me conhecesse.
-O senhor sabe se por aqui passa o ônibus que vai para ....
Ainda estou em uma idade em que gosto de ser chamado de senhor, principalmente por uma pessoa mais velha. Dispus-me a ajudar, com o pouco que sabia e expliquei à senhora. Ela olhou parao chão e fez o pedido.
- Será que o senhor poderia me conseguir um dinheirinho para inteirar a passagem? Só tenho 50 centavos.
Olhei para a mão estendida com a pequena moeda e entendi o motivo de tanta educação. Abri a carteira e pus a nota de 1 real em suas mãos. Ela me olhou feliz e agradeceu.
- Que Deus lhe dê muita saúde, felicidade e uma namorada BEM BOA!
Fiquei surpreso com o final do agradecimento. Examinei o rosto da recém conhecida procurando por algum traço brincalhão ou irônico. Ela me fitava de forma séria, aguardando que me despedisse.
Encolhi os ombros. Então fiz a minha própria interpretação do adjetivo guardado para a minha namorada e dei outro real para a senhora para garantir. Quem sabe?
-O senhor sabe se por aqui passa o ônibus que vai para ....
Ainda estou em uma idade em que gosto de ser chamado de senhor, principalmente por uma pessoa mais velha. Dispus-me a ajudar, com o pouco que sabia e expliquei à senhora. Ela olhou parao chão e fez o pedido.
- Será que o senhor poderia me conseguir um dinheirinho para inteirar a passagem? Só tenho 50 centavos.
Olhei para a mão estendida com a pequena moeda e entendi o motivo de tanta educação. Abri a carteira e pus a nota de 1 real em suas mãos. Ela me olhou feliz e agradeceu.
- Que Deus lhe dê muita saúde, felicidade e uma namorada BEM BOA!
Fiquei surpreso com o final do agradecimento. Examinei o rosto da recém conhecida procurando por algum traço brincalhão ou irônico. Ela me fitava de forma séria, aguardando que me despedisse.
Encolhi os ombros. Então fiz a minha própria interpretação do adjetivo guardado para a minha namorada e dei outro real para a senhora para garantir. Quem sabe?
2004/08/26
Conto Meu: Série "Entendendo as Mulheres"
Jogo de Adivinhação
“When I'm lying in my bed
I think about celibacy
and I think about sex
And neither one, particularly
Appeals to me
Por sexo.
Insisti em relacionamentos ruins.
Desisti de mulheres legais.
Perdi amigas e sono.
Menti.
Engoli sapos.
Apenas por fragmentos?”
Do amigo Santana (copiado sem autorização)
- Eu te considero um bom amigo.
Fitei os olhos dela, tentando adivinhar o que estava querendo dizer. Amigo? Se fôssemos apenas amigos por que havia esperado tanto tempo, se eu já havia tantas vezes demonstrado querer mais que amizade? Por que havia aceitado meu convite para sairmos juntos? Mal consegui disfarçar meu desapontamento e (sim, claro); uma pontada de raiva.
-Não esperava que dissesse isso.
Separei nossas mãos e me movi para o outro lado da mesa. Aproveitando a proximidade do garçom, pedi outra bebida. Desta vez não perguntei se ela também queria.
Ela não suportou meu gesto.
-Se eu soubesse que você reagiria assim não teria falado.
Encarei-a e examinei seu rosto. Estava séria, com um olhar de preocupação. O que eu devia dizer? Tudo era um jogo. Será que ela estava em dúvida e não sabia se deveríamos nos tornar amantes? Será que havia outra pessoa e ela não queria me contar? Decidi arriscar.
- Não te vejo apenas como amiga.
- Eu sei.
Por que ela não falava o que eu precisava ouvir? Medo de me magoar? Queria que eu a visse como difícil? Voltei meu olhar para o decote generoso nos seios e vagarosamente examinei o pescoço e o rosto, despindo-a. Ela ruborizou e riu timidamente.
Aproximei-me. Segurei sua mão. Tentei roubar um beijo.
Ela fugiu.
-Você não me entende!
Acompanhei enquanto ela pegava a bolsa e ia embora com passos fortes sem se despedir. Tomei outro gole da bebida. Resolvi ligar no dia seguinte.
“When I'm lying in my bed
I think about celibacy
and I think about sex
And neither one, particularly
Appeals to me
Por sexo.
Insisti em relacionamentos ruins.
Desisti de mulheres legais.
Perdi amigas e sono.
Menti.
Engoli sapos.
Apenas por fragmentos?”
Do amigo Santana (copiado sem autorização)
- Eu te considero um bom amigo.
Fitei os olhos dela, tentando adivinhar o que estava querendo dizer. Amigo? Se fôssemos apenas amigos por que havia esperado tanto tempo, se eu já havia tantas vezes demonstrado querer mais que amizade? Por que havia aceitado meu convite para sairmos juntos? Mal consegui disfarçar meu desapontamento e (sim, claro); uma pontada de raiva.
-Não esperava que dissesse isso.
Separei nossas mãos e me movi para o outro lado da mesa. Aproveitando a proximidade do garçom, pedi outra bebida. Desta vez não perguntei se ela também queria.
Ela não suportou meu gesto.
-Se eu soubesse que você reagiria assim não teria falado.
Encarei-a e examinei seu rosto. Estava séria, com um olhar de preocupação. O que eu devia dizer? Tudo era um jogo. Será que ela estava em dúvida e não sabia se deveríamos nos tornar amantes? Será que havia outra pessoa e ela não queria me contar? Decidi arriscar.
- Não te vejo apenas como amiga.
- Eu sei.
Por que ela não falava o que eu precisava ouvir? Medo de me magoar? Queria que eu a visse como difícil? Voltei meu olhar para o decote generoso nos seios e vagarosamente examinei o pescoço e o rosto, despindo-a. Ela ruborizou e riu timidamente.
Aproximei-me. Segurei sua mão. Tentei roubar um beijo.
Ela fugiu.
-Você não me entende!
Acompanhei enquanto ela pegava a bolsa e ia embora com passos fortes sem se despedir. Tomei outro gole da bebida. Resolvi ligar no dia seguinte.
2004/08/23
Cortando o Cabelo
Eu não deveria ter problemas em cortar o cabelo. Para mim (e para a grande maioria dos representantes da raça masculina), os fios capilares não são sinal de vaidade e não precisam ter um corte diferente ou alterado. Claro, precisam existir e o ditado de que "é dos carecas de que elas gostam mais" é apenas um consolo para os que dele precisam. Em geral, um bom cabeleireiro termina um bom corte em minha cabeleira em minutos, sem nenhuma dificuldade. Por isso costumo procurar locais baratos.
O problema é que exporadicamente surge um profissional da área tão ruim em sua profissão que consegue fazer um corte ruim. Eu repito, o cabeleireiro tem de ser muito bom em errar para me desagradar. Isso ocorreu aqui em Manaus há 6 semanas. Paguei cinco reais e saí com um cabelo todo espetado, sentindo-me o Cebolinha.
Aqui cabe uma explicação às amigas leitoras sobre a psicologia masculina. Sei que devem estar pensando: " foi merecido, vai economizar com o corte de cabelo?" Para nós o cabelo não deve ser um motivo de preocupação. Ele deve apenas existir e estar lá. Só vamos ao cabeleireiro quando está grande (e assanha tanto que incomoda) ; e então deve ser cortado para ficar menor. Homens não vão a salões para mudar corte, fazer chapinha, pintar, aparar as pontas periodicamente, fazer permanente, dentre outras. As exceções existem e, em geral, são vistas como tal (bom eufemismo, não?).
Ocorreu que no último final de semana, escaldado pelo corte anterior, decidi gastar um pouco mais de dinheiro e dirigir-me a um salão decente, desses que têm mais de uma cadeira para sentar e uma plaquinha de corte "Unissex" na porta. Em geral procuro evitar essa opção pelo simples fato de que o maior público é obviamente o feminino, e me sinto deslocado no ambiente. Foi exatamente o que aconteceu.
Ao entrar a atendente (o primeiro salão com atendente em anos que frequento); perguntou-me quem procurava. Claro, eu não podia ter vindo para cortar cabelo. Informei que gostaria de fazer um corte e ela apontou para o fundo. Circulei entre chapinhas, manicures e pedicures, embelezadores até o fundo do salão, onde a profissional me ignorou. Homens não são vistos como clientes! Tive que explicar que queria cortar.
Então sentei-me e perguntei por uma revista. Ela me ofereceu uma coletânea de "Caras", "Viva" e "Revista do Amaury Júnior". Pedi uma "Veja", "Isto é" ou parecida e ela me olhou com uma expressão de desculpa. O melhor foram as explicações: "É mesmo, homem não gosta de ler sobre fofoca. Temos 3 revistas para homem aqui, só que não sei onde estão".
Reconheço que o corte ficou bom, no entanto, no próximo mês acho que vou voltar a ficar parecido com o Cebolinha.
O problema é que exporadicamente surge um profissional da área tão ruim em sua profissão que consegue fazer um corte ruim. Eu repito, o cabeleireiro tem de ser muito bom em errar para me desagradar. Isso ocorreu aqui em Manaus há 6 semanas. Paguei cinco reais e saí com um cabelo todo espetado, sentindo-me o Cebolinha.
Aqui cabe uma explicação às amigas leitoras sobre a psicologia masculina. Sei que devem estar pensando: " foi merecido, vai economizar com o corte de cabelo?" Para nós o cabelo não deve ser um motivo de preocupação. Ele deve apenas existir e estar lá. Só vamos ao cabeleireiro quando está grande (e assanha tanto que incomoda) ; e então deve ser cortado para ficar menor. Homens não vão a salões para mudar corte, fazer chapinha, pintar, aparar as pontas periodicamente, fazer permanente, dentre outras. As exceções existem e, em geral, são vistas como tal (bom eufemismo, não?).
Ocorreu que no último final de semana, escaldado pelo corte anterior, decidi gastar um pouco mais de dinheiro e dirigir-me a um salão decente, desses que têm mais de uma cadeira para sentar e uma plaquinha de corte "Unissex" na porta. Em geral procuro evitar essa opção pelo simples fato de que o maior público é obviamente o feminino, e me sinto deslocado no ambiente. Foi exatamente o que aconteceu.
Ao entrar a atendente (o primeiro salão com atendente em anos que frequento); perguntou-me quem procurava. Claro, eu não podia ter vindo para cortar cabelo. Informei que gostaria de fazer um corte e ela apontou para o fundo. Circulei entre chapinhas, manicures e pedicures, embelezadores até o fundo do salão, onde a profissional me ignorou. Homens não são vistos como clientes! Tive que explicar que queria cortar.
Então sentei-me e perguntei por uma revista. Ela me ofereceu uma coletânea de "Caras", "Viva" e "Revista do Amaury Júnior". Pedi uma "Veja", "Isto é" ou parecida e ela me olhou com uma expressão de desculpa. O melhor foram as explicações: "É mesmo, homem não gosta de ler sobre fofoca. Temos 3 revistas para homem aqui, só que não sei onde estão".
Reconheço que o corte ficou bom, no entanto, no próximo mês acho que vou voltar a ficar parecido com o Cebolinha.
2004/08/18
Conto Meu: Pesadelo
"Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela... "
Olavo Bilac
Outro documento. Outra hora com os olhos pregados no monitor e a dor de cabeça apenas aumentava. Após algum tempo fitei o texto piscando na tela e a vista pareceu turvar, tornando-se cada vez mais nebulosa. Repentinamente olhei para o lado e surgiu uma moça simples, de rosto comum, o tipo de pessoa que mesmo após alguns minutos de conversa facilmente se esquece o nome e o rosto.
Observei-a surpreso.
- Quem é você? Como entrou aqui?
- Sou uma conjunção e estou aqui porque você está me esquecendo! Você me trata como se eu fosse igual as outras: apenas escreve “e” isso “e” aquilo. Onde estão minhas amigas adversativas, subordinadas adverbiais, integrantes? Esqueceu do “mas”, “porém”, “todavia”, “pois”, entretanto”? Não me estudou no colégio?
Uma conjunção feminista? Onde eu estava com a cabeça? Estou ficando maluco? Cravei a vista novamente no texto, fechei os olhos e vagarosamente os abri esperando que ela desaparecesse. Agora havia duas!
Em desespero, voltei meu rosto para o lado e levei a mão a cabeça, atônito, enquanto observava a mulher pequena, porém de aparência notável que havia surgido.
- Duas agora? Quem é você?
- Sou uma crase e apareci apenas para você lembrar que eu existo. Você já me esqueceu duas vezes em seu texto! Como pode? Não tem vergonha?
Em um gesto brusco, tirei minhas mãos do teclado, cruzei os braços e as encarei. Decidi não corrigir meu texto. Ficaria daquele jeito por birra. Se eu fosse escutá-las não escreveria mais nada.
-Vocês não desaparecem? Olhem vou continuar a escrever mesmo, com vocês por aqui.
Voltei-me para o teclado e procurei restringir minha visão ao monitor. Resolvi não olhar, novamente quem sabe, assim elas desaparecem.
Como se tivesse surgido do nada uma mulher apareceu em pé em cima de minha mesa. Ela era pequena, muito magra, parecia versátil. Poderia facilmente se deslocar entre várias pessoas.
Agora eu estava entrando em pânico .
-Outra? Não consigo acreditar! Por que vocês não desaparecem? Só surgem lembrando problemas e não me deixando escrever! Quem é você?
- Sou uma vírgula e você me colocou de forma errada pelo menos três vezes em seu texto! Se errar de novo, eu vou me colocar em um lugar bem pior que sua mesa.
Suspirei vagarosamente. Decidi desistir. O que aconteceria se esquecesse um ponto de exclamação? Onde iria aparecer um hífen mal colocado? O que um acento agudo esquecido iria ralhar comigo? Escrever estava ficando cada vez mais difícil.
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela... "
Olavo Bilac
Outro documento. Outra hora com os olhos pregados no monitor e a dor de cabeça apenas aumentava. Após algum tempo fitei o texto piscando na tela e a vista pareceu turvar, tornando-se cada vez mais nebulosa. Repentinamente olhei para o lado e surgiu uma moça simples, de rosto comum, o tipo de pessoa que mesmo após alguns minutos de conversa facilmente se esquece o nome e o rosto.
Observei-a surpreso.
- Quem é você? Como entrou aqui?
- Sou uma conjunção e estou aqui porque você está me esquecendo! Você me trata como se eu fosse igual as outras: apenas escreve “e” isso “e” aquilo. Onde estão minhas amigas adversativas, subordinadas adverbiais, integrantes? Esqueceu do “mas”, “porém”, “todavia”, “pois”, entretanto”? Não me estudou no colégio?
Uma conjunção feminista? Onde eu estava com a cabeça? Estou ficando maluco? Cravei a vista novamente no texto, fechei os olhos e vagarosamente os abri esperando que ela desaparecesse. Agora havia duas!
Em desespero, voltei meu rosto para o lado e levei a mão a cabeça, atônito, enquanto observava a mulher pequena, porém de aparência notável que havia surgido.
- Duas agora? Quem é você?
- Sou uma crase e apareci apenas para você lembrar que eu existo. Você já me esqueceu duas vezes em seu texto! Como pode? Não tem vergonha?
Em um gesto brusco, tirei minhas mãos do teclado, cruzei os braços e as encarei. Decidi não corrigir meu texto. Ficaria daquele jeito por birra. Se eu fosse escutá-las não escreveria mais nada.
-Vocês não desaparecem? Olhem vou continuar a escrever mesmo, com vocês por aqui.
Voltei-me para o teclado e procurei restringir minha visão ao monitor. Resolvi não olhar, novamente quem sabe, assim elas desaparecem.
Como se tivesse surgido do nada uma mulher apareceu em pé em cima de minha mesa. Ela era pequena, muito magra, parecia versátil. Poderia facilmente se deslocar entre várias pessoas.
Agora eu estava entrando em pânico .
-Outra? Não consigo acreditar! Por que vocês não desaparecem? Só surgem lembrando problemas e não me deixando escrever! Quem é você?
- Sou uma vírgula e você me colocou de forma errada pelo menos três vezes em seu texto! Se errar de novo, eu vou me colocar em um lugar bem pior que sua mesa.
Suspirei vagarosamente. Decidi desistir. O que aconteceria se esquecesse um ponto de exclamação? Onde iria aparecer um hífen mal colocado? O que um acento agudo esquecido iria ralhar comigo? Escrever estava ficando cada vez mais difícil.
2004/08/16
Máscaras
"Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa. O onanista é objecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois "amo-te" ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma."
Livro do Desassossego - Fernando Pessoa
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa. O onanista é objecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois "amo-te" ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma."
Livro do Desassossego - Fernando Pessoa
2004/08/12
Conto Meu: A desconhecida
Um dia a vi andando na calçada, sem pressa, entre a multidão. Era bonita, tinha pele clara, rosto charmoso, corpo bem cuidado. Entretanto o que me chamou a atenção não foi a beleza, e sim a forma como se vestia e caminhava. Ela era diferente das outras de saia, batom e salto por usar uma calça e camisetas folgadas, sandália simples e por ter os lábios limpos. Caminhava como se fosse a única, como se os outros não importassem. Não precisava atrair a impressão de nós homens. Não precisava sentir-se mais bonita que as outras. Não precisava destacar-se.
Furtei-me a imaginá-la.
Imaginei-a conversando animadamente comigo, sorrindo sentada, apertando os joelhos contra os seios e perguntando quais os filmes de que gostava. Pensei em taças de vinho à noite, olhares e mãos juntas e em confissões sobre erros e acertos da vida. Inventei risos ébrios, beijos roubados, minha cabeça em seu colo e suas mãos em meus cabelos.
Imaginei-a fitando demoradamente meus olhos, fazendo uma careta linda e perguntando porque eu a olhava tanto. Pensei em sua expressão incrédula ao escutar minha resposta de que gostava de vê-la por ser bonita. Inventei seus gestos doces de carinho, desejando abraços e beijos.
Imaginei seu corpo, o formato de seu ventre, a descida de suas costas, o encontro de suas pernas. Pensei na beleza de suas curvas na penumbra, nas risadinhas de timidez ao mostrar sua nudez, nas tentativas de esconder os pequenos defeitos aqui e acolá , tão sem importância. Inventei seu jeito lânguido de dormir abraçada, com a cabeça em meu peito.
Você existe?
Furtei-me a imaginá-la.
Imaginei-a conversando animadamente comigo, sorrindo sentada, apertando os joelhos contra os seios e perguntando quais os filmes de que gostava. Pensei em taças de vinho à noite, olhares e mãos juntas e em confissões sobre erros e acertos da vida. Inventei risos ébrios, beijos roubados, minha cabeça em seu colo e suas mãos em meus cabelos.
Imaginei-a fitando demoradamente meus olhos, fazendo uma careta linda e perguntando porque eu a olhava tanto. Pensei em sua expressão incrédula ao escutar minha resposta de que gostava de vê-la por ser bonita. Inventei seus gestos doces de carinho, desejando abraços e beijos.
Imaginei seu corpo, o formato de seu ventre, a descida de suas costas, o encontro de suas pernas. Pensei na beleza de suas curvas na penumbra, nas risadinhas de timidez ao mostrar sua nudez, nas tentativas de esconder os pequenos defeitos aqui e acolá , tão sem importância. Inventei seu jeito lânguido de dormir abraçada, com a cabeça em meu peito.
Você existe?
2004/08/11
Sobre a Vida
Às vezes eu acordo e parece que falta algo na vida. O dia-a-dia de trabalho, casa e diversão aparentam refletir uma rotina à qual sou preso; uma gaiola que eu mesmo montei e da qual não consigo fugir. A busca incessante de crescimento profissional, os cursos e estudos ficam sem a razão de ser; deixam de ter importância. No entanto o que me exaspera é que não sei exatamente o que falta.
Será que seria uma família? Esposa, filhos e novas responsabilidades trariam uma nova motivação à minha vida? Creio que sim. Ser solteiro e sozinho traz uma liberdade tão grande que torna a vida um pouco sem objetivo, sem pessoas queridas com que se preocupar, sem sonhos a realizar. No entanto acho que não é só isso. Novas responsabilidades podem se tornar novas grades na gaiola; é preciso algo mais.
Desconfio que sinto falta de me expor, de arriscar. Sempre fugi dos riscos, tanto emocionais quanto materiais. Não tive grandes paixões, não fiz grandes apostas, não tive problemas suficientes, não viajei o suficiente, não errei o suficiente (como bem escreveu Borges em seu último poema). Penso que tenho de ser mais impulsivo, fazer antes de pensar e não me culpar por meus erros e sim preparar-me para cometer o próximo.
Entretanto, após acordar, eu lavo o rosto, engulo tudo em seco e repito a rotina. A verdade é que ainda não sei como arriscar. A verdade, talvez, é que ainda não sei como aproveitar a vida.
Será que seria uma família? Esposa, filhos e novas responsabilidades trariam uma nova motivação à minha vida? Creio que sim. Ser solteiro e sozinho traz uma liberdade tão grande que torna a vida um pouco sem objetivo, sem pessoas queridas com que se preocupar, sem sonhos a realizar. No entanto acho que não é só isso. Novas responsabilidades podem se tornar novas grades na gaiola; é preciso algo mais.
Desconfio que sinto falta de me expor, de arriscar. Sempre fugi dos riscos, tanto emocionais quanto materiais. Não tive grandes paixões, não fiz grandes apostas, não tive problemas suficientes, não viajei o suficiente, não errei o suficiente (como bem escreveu Borges em seu último poema). Penso que tenho de ser mais impulsivo, fazer antes de pensar e não me culpar por meus erros e sim preparar-me para cometer o próximo.
Entretanto, após acordar, eu lavo o rosto, engulo tudo em seco e repito a rotina. A verdade é que ainda não sei como arriscar. A verdade, talvez, é que ainda não sei como aproveitar a vida.
2004/08/09
Conto Meu: Série "Entendendo as Mulheres"
Covardia
"Não quero pessoas que só tenham para entregar apenas sua superficialidade, suas emocoes rasas, sua temperatura morna, sua cor desbotada, seu brilho embaçado... Quero viver algo de verdade, intenso, de entrega, de compromisso... Não quero só aventura ou umas trepadas em noites de chuva. Não que tais opcões sejam ruins, mas tem hora que queremos MAIS do que soh isso!!!!
Quero alguém que quebre meu carro, que destrua minha casa, que quebre meus CD´s, que queime meus livros, que deixe marcas pelo meu corpo, que me ligue de madrugada dizendo que não consegue respirar sem mim...que viva como se fosse seu ultimo dia de vida e ao mesmo tempo faça planos para quando a gente for bem velhinho."
Adaptado de meu amigo Sérgio Fonseca (saudades, dude!)
Quando o viu chegando sentiu medo e soube que tinha de fugir. Percebeu os lábios secarem, o coração bater forte e a pele ficar mais quente quando ele a tocou.
-Oi, amor. Atrasei muito?
Não queria sentir-se assim. Tentava controlar-se, mas isso só a fazia se sentir mais culpada por não conseguir. Se ele não a abraçasse, não a quisesse, não demonstrasse,não a procurasse, não a tivesse, talvez se conformasse com a censura que o medo provocava.
-Atrasou demais, acho que dessa vez você exagerou.
Procurava transformar todo o sentimento em raiva. Raiva por suas mãos estarem tremendo, raiva por seus pensamentos só se ocuparem dele, raiva por ele a ter e não saber.
-Desculpe, não sabia que você ia ficar tão magoada.
Tentou beijá-la. Ela o afastou, tentando manter a compostura. Agora sabia, sabia que era uma dependente química dele. Sabia que iria esperar cada ligação ansiosamente e morrer por instantes enquanto a voz do outro lado não falar. Sabia que tinha de fugir ou se entregar.
-Vou embora. Esperei demais.
Levantou-se e observou seu olhar atônito enquanto saía sozinha. Algo dentro doía, algo que ela tentava desesperadamente afogar, algo que não controlava. Iria esconder-se, apagar suas lembranças, consolar-se com fumo, álcool, música e travesseiros; mentir, sim mentir, a todos negar de quem gostava.
O pior é que sabia que não podia culpar ninguém por isso. Não podia culpá-lo por o estar amando. Apenas ela era responsável por não ter a coragem de expressar o que sente. Sentia inveja das mulheres que amavam despudoradamente. Queria gritar, quebrar as coisas em sua casa, embebedar-se até a inconsciência, brigar com a primeira que aparecesse na sua frente. No entanto não conseguia.
Colocou seus óculos escuros para esconder as lágrimas que teimavam em aparecer e foi para casa.
"Não quero pessoas que só tenham para entregar apenas sua superficialidade, suas emocoes rasas, sua temperatura morna, sua cor desbotada, seu brilho embaçado... Quero viver algo de verdade, intenso, de entrega, de compromisso... Não quero só aventura ou umas trepadas em noites de chuva. Não que tais opcões sejam ruins, mas tem hora que queremos MAIS do que soh isso!!!!
Quero alguém que quebre meu carro, que destrua minha casa, que quebre meus CD´s, que queime meus livros, que deixe marcas pelo meu corpo, que me ligue de madrugada dizendo que não consegue respirar sem mim...que viva como se fosse seu ultimo dia de vida e ao mesmo tempo faça planos para quando a gente for bem velhinho."
Adaptado de meu amigo Sérgio Fonseca (saudades, dude!)
Quando o viu chegando sentiu medo e soube que tinha de fugir. Percebeu os lábios secarem, o coração bater forte e a pele ficar mais quente quando ele a tocou.
-Oi, amor. Atrasei muito?
Não queria sentir-se assim. Tentava controlar-se, mas isso só a fazia se sentir mais culpada por não conseguir. Se ele não a abraçasse, não a quisesse, não demonstrasse,não a procurasse, não a tivesse, talvez se conformasse com a censura que o medo provocava.
-Atrasou demais, acho que dessa vez você exagerou.
Procurava transformar todo o sentimento em raiva. Raiva por suas mãos estarem tremendo, raiva por seus pensamentos só se ocuparem dele, raiva por ele a ter e não saber.
-Desculpe, não sabia que você ia ficar tão magoada.
Tentou beijá-la. Ela o afastou, tentando manter a compostura. Agora sabia, sabia que era uma dependente química dele. Sabia que iria esperar cada ligação ansiosamente e morrer por instantes enquanto a voz do outro lado não falar. Sabia que tinha de fugir ou se entregar.
-Vou embora. Esperei demais.
Levantou-se e observou seu olhar atônito enquanto saía sozinha. Algo dentro doía, algo que ela tentava desesperadamente afogar, algo que não controlava. Iria esconder-se, apagar suas lembranças, consolar-se com fumo, álcool, música e travesseiros; mentir, sim mentir, a todos negar de quem gostava.
O pior é que sabia que não podia culpar ninguém por isso. Não podia culpá-lo por o estar amando. Apenas ela era responsável por não ter a coragem de expressar o que sente. Sentia inveja das mulheres que amavam despudoradamente. Queria gritar, quebrar as coisas em sua casa, embebedar-se até a inconsciência, brigar com a primeira que aparecesse na sua frente. No entanto não conseguia.
Colocou seus óculos escuros para esconder as lágrimas que teimavam em aparecer e foi para casa.
2004/08/05
Conto Meu: O Homem Grande
"I hear a voice:
Your must learn to stand up for yourself
Cause I can't always be around
He says
When you gonna make up your mind?
When you gonna love you as much as I do?
When you gonna make up your mind?"
Winter - Tori Amos
Ele era grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu. O menino pequenininho olhava embasbacado enquanto o via fazer coisas que lhe pareciam impossíveis.
Acompanhava-o levantar caixas que pareciam tão pesadas e queria ajudá-lo, mas mal as podia mover. Via-o alcançar coisas que não conseguia pegar. Fitava embevecido enquanto ele, com suas ferramentas, abria o rádio da sala e inexplicavelmente o colocava para funcionar. Sempre grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu.
O menino pequenininho queria ser como ele. Via-o rir com os amigos na mesa grande e tentava rir também. Puxava a barra da sua calça e pedia para provar a bebida amarela e fingia gostar, apesar do sabor amargo.
Gostava quando o pegava nos braços e o levantava e das brincadeiras, quando segurava em seus braços e o girava tão fácil! Era grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu.
Queria mostrar a ele como era inteligente. Apontava para as placas e ele sempre perguntava o que estava escrito. O menino sorria de satisfação ao responder.
Grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu!
Pai, feliz dia. Estou com saudades!
Your must learn to stand up for yourself
Cause I can't always be around
He says
When you gonna make up your mind?
When you gonna love you as much as I do?
When you gonna make up your mind?"
Winter - Tori Amos
Ele era grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu. O menino pequenininho olhava embasbacado enquanto o via fazer coisas que lhe pareciam impossíveis.
Acompanhava-o levantar caixas que pareciam tão pesadas e queria ajudá-lo, mas mal as podia mover. Via-o alcançar coisas que não conseguia pegar. Fitava embevecido enquanto ele, com suas ferramentas, abria o rádio da sala e inexplicavelmente o colocava para funcionar. Sempre grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu.
O menino pequenininho queria ser como ele. Via-o rir com os amigos na mesa grande e tentava rir também. Puxava a barra da sua calça e pedia para provar a bebida amarela e fingia gostar, apesar do sabor amargo.
Gostava quando o pegava nos braços e o levantava e das brincadeiras, quando segurava em seus braços e o girava tão fácil! Era grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu.
Queria mostrar a ele como era inteligente. Apontava para as placas e ele sempre perguntava o que estava escrito. O menino sorria de satisfação ao responder.
Grande, tão grande que parecia que podia alcançar o céu!
Pai, feliz dia. Estou com saudades!
2004/08/02
Conto Meu: Série "Entendendo as Mulheres"
Fuga
"-I love you, Lulamae.
- I know you do, that´s just the trouble. It´s a mistake you´ve always made, trying to love a wild thing. You always were lugging home wild things. Once was a hawk with a broken wing, remember?
You mustn´t give your heart to a wild thing. The more you do, the stronger they get. Until it´s strong enough to run into the woods or fly into a tree. And then into a higher tree and then to the sky."
Audrey Hepburn no filme "Bonequinha de Luxo"
Foi em uma sexta-feira que ela teve aquela sensação estranha pela primeira vez. Estava ao final de uma festa, de braços dados com seu encontro quando notou que algo estava errado. Havia uma solidão inexplicável, como se todos seus amigos, o pretendente e os outros não existissem. Sentiu uma dor que não sabia explicar, uma melancolia que não sabia de onde vinha.
Fingiu que estava tudo bem. Afinal estava se divertindo, não? Abriu um sorriso amarelo e voltou a conversar, ignorando a estranha sensação no peito. Dormiu sozinha.
A noite foi estranha. Agarrava-se ao travesseiro como se fosse o companheiro que não existia e as lágrimas surgiram várias vezes, quase sem querer.Por que se sentia assim? Parecia inexplicável.
Sempre achou que o amor fosse controlável. Bastava não deixar que os homens se aproximassem demais, desmarcar encontros, sumir durante dias e sair com outro para esquecê-los. Gostar de alguém sempre significou sofrer e não se permitiria entregar-se a outro. Ria das amigas que faziam e perdoavam coisas impossíveis. O segredo era pensar sempre com a cabeça e esquecer o coração.
No entanto, não estava apaixonada. O que estava acontecendo então?
A solidão teimava em a invadir.
"-I love you, Lulamae.
- I know you do, that´s just the trouble. It´s a mistake you´ve always made, trying to love a wild thing. You always were lugging home wild things. Once was a hawk with a broken wing, remember?
You mustn´t give your heart to a wild thing. The more you do, the stronger they get. Until it´s strong enough to run into the woods or fly into a tree. And then into a higher tree and then to the sky."
Audrey Hepburn no filme "Bonequinha de Luxo"
Foi em uma sexta-feira que ela teve aquela sensação estranha pela primeira vez. Estava ao final de uma festa, de braços dados com seu encontro quando notou que algo estava errado. Havia uma solidão inexplicável, como se todos seus amigos, o pretendente e os outros não existissem. Sentiu uma dor que não sabia explicar, uma melancolia que não sabia de onde vinha.
Fingiu que estava tudo bem. Afinal estava se divertindo, não? Abriu um sorriso amarelo e voltou a conversar, ignorando a estranha sensação no peito. Dormiu sozinha.
A noite foi estranha. Agarrava-se ao travesseiro como se fosse o companheiro que não existia e as lágrimas surgiram várias vezes, quase sem querer.Por que se sentia assim? Parecia inexplicável.
Sempre achou que o amor fosse controlável. Bastava não deixar que os homens se aproximassem demais, desmarcar encontros, sumir durante dias e sair com outro para esquecê-los. Gostar de alguém sempre significou sofrer e não se permitiria entregar-se a outro. Ria das amigas que faziam e perdoavam coisas impossíveis. O segredo era pensar sempre com a cabeça e esquecer o coração.
No entanto, não estava apaixonada. O que estava acontecendo então?
A solidão teimava em a invadir.
2004/07/30
Conto Meu: Série "Entendendo as Mulheres"
Sexo
"Eu daria qualquer coisa para dar-me à você
Pode esquecer o mundo que você pensava conhecer
Para me encontrar,
Venha e encontre-me
Nada está o impedindo de libertar-me.
Eu farei qualquer coisa que você pedir, apenas diga
Eu acreditarei
Em todas as suas mentiras
Apenas finja me amar
Finja
Tudo sem você me magoar
Desejo nunca nunca morrer
Eu serei tudo que você precisa"
Será que ele me acha feia? Por que ele não veio para perto? Não, lembro como seus olhos ficaram fitando minhas pernas. Acho que o problema naquela festa foi a maquiagem, e olha que eu falei para a Gi como aquele salão era horrível.
-Bem, você parece tão distante hoje.
-Impressão sua, amor!
Eu vou investir nele hoje à noite. Acho que vou usar aquele vestido vermelho curtinho, com um salto 12 combinando. Vai ser impossível ele não chegar, fingindo querer apenas conversar. Nossa, vou ter que fazer o cabelo ainda hoje, e as unhas, que estão horríveis!
-Bem, estou quase no final.
E o Ricardo, como vou mantê-lo longe? A Ritinha! Vou pedir à Ritinha para levar o primo, que gosta de conversar. Será igual ao mês passado, quando os dois ficaram próximos ao bar tomando seus uísques e me esquecendo.
-Aaaaah. Bem, foi muito bom.
-Também, gostei. Você faz amor muito gostoso!
"Eu daria qualquer coisa para dar-me à você
Pode esquecer o mundo que você pensava conhecer
Para me encontrar,
Venha e encontre-me
Nada está o impedindo de libertar-me.
Eu farei qualquer coisa que você pedir, apenas diga
Eu acreditarei
Em todas as suas mentiras
Apenas finja me amar
Finja
Tudo sem você me magoar
Desejo nunca nunca morrer
Eu serei tudo que você precisa"
Será que ele me acha feia? Por que ele não veio para perto? Não, lembro como seus olhos ficaram fitando minhas pernas. Acho que o problema naquela festa foi a maquiagem, e olha que eu falei para a Gi como aquele salão era horrível.
-Bem, você parece tão distante hoje.
-Impressão sua, amor!
Eu vou investir nele hoje à noite. Acho que vou usar aquele vestido vermelho curtinho, com um salto 12 combinando. Vai ser impossível ele não chegar, fingindo querer apenas conversar. Nossa, vou ter que fazer o cabelo ainda hoje, e as unhas, que estão horríveis!
-Bem, estou quase no final.
E o Ricardo, como vou mantê-lo longe? A Ritinha! Vou pedir à Ritinha para levar o primo, que gosta de conversar. Será igual ao mês passado, quando os dois ficaram próximos ao bar tomando seus uísques e me esquecendo.
-Aaaaah. Bem, foi muito bom.
-Também, gostei. Você faz amor muito gostoso!
2004/07/28
Conto Meu: Série "Entendendo as Mulheres"
Traição
"Why do we crucify ourselves
Every day
I crucify myself
Nothing I do is good enough for you
I crucify myself
And my heart is sick of being in
I said my heart is sick of being in Chains"
Tori Amos - Crucify
Amor,
não sei como consigo escrever. Dói tanto por dentro que quase não consigo mover a caneta. E se eu não conseguir dizer o que preciso? E se apenas se alastrar como uma dor contagiosa e fatal? Como será?
Sei que você vai dizer que sou uma covarde, por não ter coragem de lhe enfrentar e dizer tudo frente-a-frente. Sim, hoje rasguei suas roupas, quebrei suas garrafas de uísque, afoguei minha raiva. No entanto, isso não compensa nem uma pequena parte do que você me fez sofrer.
Você não entende não é? Não entende como não posso esquecer o momento em que lhe vi com suas mãos de dedos inesquecíveis na cintura da outra, com o seu sorriso no sorriso da outra, com suas palavras no ouvido da outra, com sua língua na boca da outra. Quis fugir, quis me esconder, quis agarrá-lo, quis gritar, desesperar com a vida, mas apenas consegui sair da sua vista e procurar um canto.
Naquele momento não chorei. As lágrimas vieram e encheram meus olhos, mas eu não chorei. Não sei bem, mas meus olhos talvez estivessem mais confusos do que meus pensamentos, mais apertados do que meu coração, havia lágrimas, sim, mas talvez não houvesse razão ou espaço para que eu lhes desse vida. Por isso, ninguém viu quando as lágrimas abortadas morreram dentro de mim.
Bem que eu gostaria mas eu não consigo esquecer. Eu queria, quando você veio me pedir perdão e chorou. Eu queria quando voltamos a nos encontrar e a nos amar, mas eu não consigo. Há algo dentro de mim que se rasga toda vez que eu o vejo sorrindo, conversando com uma amiga, toda vez que você se atrasa enquanto estou à sua espera, toda vez em que você desvia o olhar e fica pensando, com a expressão que conheço tão bem, em algo que tento adivinhar. Descobri que continuar com você é me matar um pouco a cada dia.
Sei que se nos encontrarmos eu não conseguiria lhe enfrentar. Sei que você iria tentar me convencer a ficar, e eu....Como conseguiria resistir aos seus olhos que me despiram, às palavras que já me seduziram? Não, prefiro deixar apenas esta carta e espero que você entenda o que consegui escrever.
Se você realmente ainda gosta de mim não me procure. Nem a seu irmão, que está tentando me ensinar a lhe esquecer.
"Why do we crucify ourselves
Every day
I crucify myself
Nothing I do is good enough for you
I crucify myself
And my heart is sick of being in
I said my heart is sick of being in Chains"
Tori Amos - Crucify
Amor,
não sei como consigo escrever. Dói tanto por dentro que quase não consigo mover a caneta. E se eu não conseguir dizer o que preciso? E se apenas se alastrar como uma dor contagiosa e fatal? Como será?
Sei que você vai dizer que sou uma covarde, por não ter coragem de lhe enfrentar e dizer tudo frente-a-frente. Sim, hoje rasguei suas roupas, quebrei suas garrafas de uísque, afoguei minha raiva. No entanto, isso não compensa nem uma pequena parte do que você me fez sofrer.
Você não entende não é? Não entende como não posso esquecer o momento em que lhe vi com suas mãos de dedos inesquecíveis na cintura da outra, com o seu sorriso no sorriso da outra, com suas palavras no ouvido da outra, com sua língua na boca da outra. Quis fugir, quis me esconder, quis agarrá-lo, quis gritar, desesperar com a vida, mas apenas consegui sair da sua vista e procurar um canto.
Naquele momento não chorei. As lágrimas vieram e encheram meus olhos, mas eu não chorei. Não sei bem, mas meus olhos talvez estivessem mais confusos do que meus pensamentos, mais apertados do que meu coração, havia lágrimas, sim, mas talvez não houvesse razão ou espaço para que eu lhes desse vida. Por isso, ninguém viu quando as lágrimas abortadas morreram dentro de mim.
Bem que eu gostaria mas eu não consigo esquecer. Eu queria, quando você veio me pedir perdão e chorou. Eu queria quando voltamos a nos encontrar e a nos amar, mas eu não consigo. Há algo dentro de mim que se rasga toda vez que eu o vejo sorrindo, conversando com uma amiga, toda vez que você se atrasa enquanto estou à sua espera, toda vez em que você desvia o olhar e fica pensando, com a expressão que conheço tão bem, em algo que tento adivinhar. Descobri que continuar com você é me matar um pouco a cada dia.
Sei que se nos encontrarmos eu não conseguiria lhe enfrentar. Sei que você iria tentar me convencer a ficar, e eu....Como conseguiria resistir aos seus olhos que me despiram, às palavras que já me seduziram? Não, prefiro deixar apenas esta carta e espero que você entenda o que consegui escrever.
Se você realmente ainda gosta de mim não me procure. Nem a seu irmão, que está tentando me ensinar a lhe esquecer.
2004/07/26
Conto Meu: Série "Entendendo as Mulheres"
Amor à Primeira Vista
"Love is a dog from hell"
Charles Bukowski
Doutor, o senhor não entende. Eu tinha que fazer. Não, não roubei nada. Não sou ladra não, viu doutor? Só por que caí na vida não deixei de ser honesta. Onde? Eu estava em meu ponto, sempre vou para lá a partir das 8. Estávamos eu e a Dorinha, somos amigas, é perigoso ficar sozinha quando se está na rua. Eu sabia que ia acontecer, sabe doutor? O pastor bem que me avisou que o demônio iria me tentar essa semana. Sim, ele parou o carro e me chamou. A Dorinha viu. Eu sabia que podia me perder assim que ele me olhou. Sabe, doutor, ele tinha um olhar fundo, daqueles que parecem enxergar dentro de você. Eu balancei, mas a vida é a vida, eu tinha de ir. Ele falou que queria fazer uma festinha com os amigos, até conversou com a Dorinha, mas achou o preço das duas caro. Então eu fui com ele. Como aconteceu? Doutor, eu tinha de fazer, se não eu ia me perder. No começo, dentro do carro, eu ainda estava tranquila. Então ele parou de repente e me olhou. Meu coração disparou, sabe quando parece que vai saltar pela boca? Ele me olhou, com aquele olhar que não esqueço, pegou na minha mão e me beijou. Eu senti, doutor, senti que tinha me perdido, senti que ele me tinha e que eu tinha de fazer. Foi então que peguei o canivete na bolsa e o furei.
"Love is a dog from hell"
Charles Bukowski
Doutor, o senhor não entende. Eu tinha que fazer. Não, não roubei nada. Não sou ladra não, viu doutor? Só por que caí na vida não deixei de ser honesta. Onde? Eu estava em meu ponto, sempre vou para lá a partir das 8. Estávamos eu e a Dorinha, somos amigas, é perigoso ficar sozinha quando se está na rua. Eu sabia que ia acontecer, sabe doutor? O pastor bem que me avisou que o demônio iria me tentar essa semana. Sim, ele parou o carro e me chamou. A Dorinha viu. Eu sabia que podia me perder assim que ele me olhou. Sabe, doutor, ele tinha um olhar fundo, daqueles que parecem enxergar dentro de você. Eu balancei, mas a vida é a vida, eu tinha de ir. Ele falou que queria fazer uma festinha com os amigos, até conversou com a Dorinha, mas achou o preço das duas caro. Então eu fui com ele. Como aconteceu? Doutor, eu tinha de fazer, se não eu ia me perder. No começo, dentro do carro, eu ainda estava tranquila. Então ele parou de repente e me olhou. Meu coração disparou, sabe quando parece que vai saltar pela boca? Ele me olhou, com aquele olhar que não esqueço, pegou na minha mão e me beijou. Eu senti, doutor, senti que tinha me perdido, senti que ele me tinha e que eu tinha de fazer. Foi então que peguei o canivete na bolsa e o furei.
2004/07/22
Conto Meu: Corações Solitários
"Do you ever just get down on your knees and thank God that you know me and have access to my dementia?"
George Constanza - Seinfeld
Cena 1:Sala de transmissão de uma estação de rádio, com uma mesa central, dois microfones e cadeiras.
[Locutor]:Boa noite, amiga ouvinte! Estamos começando mais um programa "Corações Solitários". Onde escutamos seu coração que conhece todas as coisas, pois veio da Alma do Mundo e um dia retornará para ela. Agora a astróloga Yoná Gisleine irá mostrar o que os astros nos reservam sobre a vida amorosa.
[Assistente em voz de falsete] Para você que é de Áries, hoje a conjunção dos astros indica que pode ser o dia em que irá encontrar sua cara metade.Urano está entre Mercúrio e Júpiter, indicando que seu amor pode ser encontrado. Olhe para os lados porque ele está mais próximo do que imagina.
[Locutor]: Agora vamos escutar a uma música romântica."O Guarda Costas" da cantora Uitinei Riustom. Amiga ouvinte, lembre-se sempre de que o amor é formado de uma só alma, habitando dois corpos.
[Assistente]: O que houve? E os outros signos?
[Locutor]: Idiota, não sabe nem escrever um horóscopo? Basta apenas falar "tal" está em conjunção com "tal". A carta de hoje foi você que escreveu?
[Assistente, orgulhoso]: Foi.
[Locutor em voz baixa]: Bosta de emprego!
[Locutor ao microfone]: Hoje vamos relatar a história da ouvinte Ana...U..Uai..Uáixóski, que nos enviou uma carta de Paraupebas no Pará.
[Locutor, lendo um texto]: "Caro Amigo, sou uma mulher independente, tenho curso superior e um trabalho que é minha paixão: faço garrafas de Leyden. Ontem meu pai brigou com meu namorado e não permite que nos vejamos, pois ele é da família Cur...Curov..Curovóski. Estou desesperada, pois ele é minha vida. O que faço?"
[Locutor]: Ana, não permita que o amor entre vocês seja interrompido por outros. Lute pelo que você quer e vá em busca de sua felicidade. Não se intimide pelos percalços da vida que irão surgir na história de vocês!
[Locutor]: Agora uma música que Gizovaldo oferece para Eliete, em nome do amor, "Oceanos" de Dijávan.
[Locutor para o Assistente]: Romeu e Julieta de novo? Duas famílias com esse nome no interior do Pará? O que diabos é uma garrafa de Leyden?
[Assistente, didático e orgulhoso]: Uma garrafa de Leyden é um tipo de capacitor de alta tensão de uso comum em eletrostática.
[Locutor olhando para cima]: Bosta de emprego!
[Locutor ,olhando para o assistente]: Não há nenhum texto que não seja um desses seus?
[Assistente]: Para falar a verdade há uma carta, mas não sei se vale a pena utilizar.
[Locutor]: Uma carta. Uma carta verdadeira? Claro que vou ler.
[Locutor- ao microfone]: Agora iremos ler uma carta de um ouvinte que se auto-intitula "Sonhador Mascarado".
[Locutor - lendo o texto]:
"Sou um homem dividido por um amor não correspondido a outro homem. Ele trabalha comigo e não tenho coragem de contar. Mesmo sem saber, ele não me respeita, faz caso de mim, maltrata-me e meu coração fica em pedaços. O que devo fazer?".
[Locutor]: Sonhador Mascarado, conte o seu amor. Não se envergonhe dele. Tenho certeza que, apesar das dificuldades, ele será entendido e que mesmo que a pessoa que ama não o corresponder, lhe respeitará e, quam sabe, aprenderá a lhe amar.
[Locutor olha para o assistente]
[Assistente, olhando para o Locutor]: Eu sabia!
[Locutor]: Bosta de emprego!
George Constanza - Seinfeld
Cena 1:Sala de transmissão de uma estação de rádio, com uma mesa central, dois microfones e cadeiras.
[Locutor]:Boa noite, amiga ouvinte! Estamos começando mais um programa "Corações Solitários". Onde escutamos seu coração que conhece todas as coisas, pois veio da Alma do Mundo e um dia retornará para ela. Agora a astróloga Yoná Gisleine irá mostrar o que os astros nos reservam sobre a vida amorosa.
[Assistente em voz de falsete] Para você que é de Áries, hoje a conjunção dos astros indica que pode ser o dia em que irá encontrar sua cara metade.Urano está entre Mercúrio e Júpiter, indicando que seu amor pode ser encontrado. Olhe para os lados porque ele está mais próximo do que imagina.
[Locutor]: Agora vamos escutar a uma música romântica."O Guarda Costas" da cantora Uitinei Riustom. Amiga ouvinte, lembre-se sempre de que o amor é formado de uma só alma, habitando dois corpos.
[Assistente]: O que houve? E os outros signos?
[Locutor]: Idiota, não sabe nem escrever um horóscopo? Basta apenas falar "tal" está em conjunção com "tal". A carta de hoje foi você que escreveu?
[Assistente, orgulhoso]: Foi.
[Locutor em voz baixa]: Bosta de emprego!
[Locutor ao microfone]: Hoje vamos relatar a história da ouvinte Ana...U..Uai..Uáixóski, que nos enviou uma carta de Paraupebas no Pará.
[Locutor, lendo um texto]: "Caro Amigo, sou uma mulher independente, tenho curso superior e um trabalho que é minha paixão: faço garrafas de Leyden. Ontem meu pai brigou com meu namorado e não permite que nos vejamos, pois ele é da família Cur...Curov..Curovóski. Estou desesperada, pois ele é minha vida. O que faço?"
[Locutor]: Ana, não permita que o amor entre vocês seja interrompido por outros. Lute pelo que você quer e vá em busca de sua felicidade. Não se intimide pelos percalços da vida que irão surgir na história de vocês!
[Locutor]: Agora uma música que Gizovaldo oferece para Eliete, em nome do amor, "Oceanos" de Dijávan.
[Locutor para o Assistente]: Romeu e Julieta de novo? Duas famílias com esse nome no interior do Pará? O que diabos é uma garrafa de Leyden?
[Assistente, didático e orgulhoso]: Uma garrafa de Leyden é um tipo de capacitor de alta tensão de uso comum em eletrostática.
[Locutor olhando para cima]: Bosta de emprego!
[Locutor ,olhando para o assistente]: Não há nenhum texto que não seja um desses seus?
[Assistente]: Para falar a verdade há uma carta, mas não sei se vale a pena utilizar.
[Locutor]: Uma carta. Uma carta verdadeira? Claro que vou ler.
[Locutor- ao microfone]: Agora iremos ler uma carta de um ouvinte que se auto-intitula "Sonhador Mascarado".
[Locutor - lendo o texto]:
"Sou um homem dividido por um amor não correspondido a outro homem. Ele trabalha comigo e não tenho coragem de contar. Mesmo sem saber, ele não me respeita, faz caso de mim, maltrata-me e meu coração fica em pedaços. O que devo fazer?".
[Locutor]: Sonhador Mascarado, conte o seu amor. Não se envergonhe dele. Tenho certeza que, apesar das dificuldades, ele será entendido e que mesmo que a pessoa que ama não o corresponder, lhe respeitará e, quam sabe, aprenderá a lhe amar.
[Locutor olha para o assistente]
[Assistente, olhando para o Locutor]: Eu sabia!
[Locutor]: Bosta de emprego!
2004/07/18
Conto Meu: Modernidades
"Feliz era meu pai que, para conquistar minha mãe, não precisava saber o que era sushi!"
Nick Hornby - Alta Fidelidade
No bar, a conversa estava começando a ficar cansativa. Fiquei olhando para cima enquanto os dois colegas conversavam sobre esportes.
- E a final de ontem do Bayern de Munich com o Borussia?
- Passou na TV a cabo, não foi? Não cheguei a ver mas li a respeito na Internet. Parece que o jogo foi bom. E vc, o que achou?
Eu não achava nada. Quando foi que tornou-se obrigatório que todo torcedor tupiniquim acompanhe as notícias do futebol alemão?
- Não, não vi e nem li a respeito.
- Deixa, ele não quer conversar.
Certo, é mais fácil acreditar que não quero conversa a crer que não fico aprendendo alemão decorando nomes de jogadores de futebol.
- Por que não mudamos de assunto? Realmente, não estou muito para futebol.
- Tudo bem. Ontem comecei a escutar a uma banda bem legal. Acho que vc vai gostar. Eles tocam um rock construtivista, experimental, com eletrônica. Foi muito difícil baixar os MP3. O nome deles é SnowBall. Já ouviu falar?
- Não.
- Vou gravar um CD para vc!
- Não, não precisa. Não sou grande fã desse tipo de rock....
- VOU GRAVAR PARA VC!
Eu estava prestes a me tornar o primeiro a brigar por não querer receber um CD de presente. O pior é que eu sei que após recebê-lo serei obrigado a entrar na Internet, descobrir tudo sobre a banda e fingir interesse, se não vou ter de brigar depois também.
-Ok, obrigado.
Silêncio. Um olha para o outro demonstrando incômodo. Eu fico pensando em um assunto que não permita que alguém cite Internet, TV a Cabo ou novidades High-Tech.
- O que vcs acham da violência, hein? Cada vez pior...
Olham para mim como se fosse um alien.
- Violência. De onde vc tirou esse assunto?
- Sei lá. Por que não pode haver conversa a respeito?
Silêncio novamente. O Celular tocou.
-Alô, oi amor.
Os amigos fazem aquela cara divertida. O clima ficou mais leve. Eu sei, eu sei, coleira eletrônica.
-Não amor, não li seu e-mail. O quê? Era importante? Enviou há três dias?
Devo confessar que meu desencanto com o mundo digital estava em tal ponto que eu estava evitando acessar a Net. O problema é que agora namorados são obrigados a ler e enviar e-mails carinhosos, acho que faz parte dos novos relacionamentos. Vou arriscar, se não terei de me esforçar para acessar a Internet de algum lugar....
-Amor, acho que seu e-mail foi perdido!
-Mentiroso? Como assim? Tinha recibo de entrega?
Desligou. Os colegas me olham com cara de reprovação.
-Vc não leu o e-mail dela e inventou que não tinha chegado.
-Foi. Por que afinal não posso deixar de ler meus e-mails por 3 dias. Cartas demoram mais tempo para ser entregues. Além disso a maioria é inútil e só acesso para apagar.
-PUTZ, VC DEVE ESTAR APAGANDO OS E-MAILS QUE ENVIO!
Ih, hoje não é o meu dia.Realmente, não tenho paciência para os ler.
-Não, que é isso. Leio todos.
-Qual foi o último?
Vou fazer como o Sting e habitar com uma tribo indígena.Ei, os índios ainda não têm acesso à Internet. Não é? Ou já têm?
Nick Hornby - Alta Fidelidade
No bar, a conversa estava começando a ficar cansativa. Fiquei olhando para cima enquanto os dois colegas conversavam sobre esportes.
- E a final de ontem do Bayern de Munich com o Borussia?
- Passou na TV a cabo, não foi? Não cheguei a ver mas li a respeito na Internet. Parece que o jogo foi bom. E vc, o que achou?
Eu não achava nada. Quando foi que tornou-se obrigatório que todo torcedor tupiniquim acompanhe as notícias do futebol alemão?
- Não, não vi e nem li a respeito.
- Deixa, ele não quer conversar.
Certo, é mais fácil acreditar que não quero conversa a crer que não fico aprendendo alemão decorando nomes de jogadores de futebol.
- Por que não mudamos de assunto? Realmente, não estou muito para futebol.
- Tudo bem. Ontem comecei a escutar a uma banda bem legal. Acho que vc vai gostar. Eles tocam um rock construtivista, experimental, com eletrônica. Foi muito difícil baixar os MP3. O nome deles é SnowBall. Já ouviu falar?
- Não.
- Vou gravar um CD para vc!
- Não, não precisa. Não sou grande fã desse tipo de rock....
- VOU GRAVAR PARA VC!
Eu estava prestes a me tornar o primeiro a brigar por não querer receber um CD de presente. O pior é que eu sei que após recebê-lo serei obrigado a entrar na Internet, descobrir tudo sobre a banda e fingir interesse, se não vou ter de brigar depois também.
-Ok, obrigado.
Silêncio. Um olha para o outro demonstrando incômodo. Eu fico pensando em um assunto que não permita que alguém cite Internet, TV a Cabo ou novidades High-Tech.
- O que vcs acham da violência, hein? Cada vez pior...
Olham para mim como se fosse um alien.
- Violência. De onde vc tirou esse assunto?
- Sei lá. Por que não pode haver conversa a respeito?
Silêncio novamente. O Celular tocou.
-Alô, oi amor.
Os amigos fazem aquela cara divertida. O clima ficou mais leve. Eu sei, eu sei, coleira eletrônica.
-Não amor, não li seu e-mail. O quê? Era importante? Enviou há três dias?
Devo confessar que meu desencanto com o mundo digital estava em tal ponto que eu estava evitando acessar a Net. O problema é que agora namorados são obrigados a ler e enviar e-mails carinhosos, acho que faz parte dos novos relacionamentos. Vou arriscar, se não terei de me esforçar para acessar a Internet de algum lugar....
-Amor, acho que seu e-mail foi perdido!
-Mentiroso? Como assim? Tinha recibo de entrega?
Desligou. Os colegas me olham com cara de reprovação.
-Vc não leu o e-mail dela e inventou que não tinha chegado.
-Foi. Por que afinal não posso deixar de ler meus e-mails por 3 dias. Cartas demoram mais tempo para ser entregues. Além disso a maioria é inútil e só acesso para apagar.
-PUTZ, VC DEVE ESTAR APAGANDO OS E-MAILS QUE ENVIO!
Ih, hoje não é o meu dia.Realmente, não tenho paciência para os ler.
-Não, que é isso. Leio todos.
-Qual foi o último?
Vou fazer como o Sting e habitar com uma tribo indígena.Ei, os índios ainda não têm acesso à Internet. Não é? Ou já têm?
Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças
Vejam só que maravilha de roteiro foi escrito pelo Charlie Kauffman neste filme estrelado pelo Jim Carrey e a "Titanic" Kate Winslet. Espero que abram espaço aqui em Manaus para ele....
Arrasado ao descobrir que sua namorada, Clementine, pagou a um médico para eliminá-lo das suas lembranças, Joel decide fazer o mesmo. Deitado em sua cama e inconsciente enquanto um técnico localiza suas memórias de Clementine e as apaga, Joel, porém, responde mal ao tratamento. Enquanto cada experiência que passou com a namorada ressurge e é brevemente revivida, há alguma parte dele que permanece alerta e se dá conta de que ele não vai se livrar apenas daquilo que lhe causa dor: os bons momentos estão escoando pelo ralo junto com os momentos ruins – e até esses, afinal, ele gostaria de preservar. Em seu desespero, Joel tenta esconder Clementine em partes do seu cérebro que o técnico não mapeou. Ele a leva para as humilhações da adolescência e para as confusões da infância, correndo com Clementine por entre o labirinto daquilo que ele foi antes de conhecê-la, com o técnico sempre em seu encalço. Quanto mais imaterial a namorada se torna, maior sua certeza de que ele está cometendo um erro terrível: com ou sem Clementine ao seu lado, Joel precisa que ela exista.
Arrasado ao descobrir que sua namorada, Clementine, pagou a um médico para eliminá-lo das suas lembranças, Joel decide fazer o mesmo. Deitado em sua cama e inconsciente enquanto um técnico localiza suas memórias de Clementine e as apaga, Joel, porém, responde mal ao tratamento. Enquanto cada experiência que passou com a namorada ressurge e é brevemente revivida, há alguma parte dele que permanece alerta e se dá conta de que ele não vai se livrar apenas daquilo que lhe causa dor: os bons momentos estão escoando pelo ralo junto com os momentos ruins – e até esses, afinal, ele gostaria de preservar. Em seu desespero, Joel tenta esconder Clementine em partes do seu cérebro que o técnico não mapeou. Ele a leva para as humilhações da adolescência e para as confusões da infância, correndo com Clementine por entre o labirinto daquilo que ele foi antes de conhecê-la, com o técnico sempre em seu encalço. Quanto mais imaterial a namorada se torna, maior sua certeza de que ele está cometendo um erro terrível: com ou sem Clementine ao seu lado, Joel precisa que ela exista.
2004/07/17
Solidão
Ontem ao adentrar no apartamento e perceber que estava sozinho senti uma sensação estranha, aguda como uma fratura exposta. Um vazio sentimental, uma necessidade de ter uma parceira ao meu lado, para conversar, trocar carinhos. Eu estava precisando de colo.
Não estou habituado a sentir-me só. Na verdade sempre valorizei meu lado ermitão, de não precisar de ajuda ou companhia no dia-a-dia. Sempre gostei de me manter fechado e de tentar controlar o quanto eu me entregava às namoradas e casos. Meu lado racional e controlador trabalhava tentando me preservar de uma possível decepção, evitando gostar de alguém. Fiz isso por tanto tempo, tornou-se tão arraigado que nunca sofri por alguém nos últimos 10 anos. Não me deixei gostar.
As namoradas sentiam-me distante e os relacionamentos nunca foram longos. Eu sempre pesei o quanto poderia ser magoado e demonstrei até onde elas poderiam ir. Nunca falei que gostava de alguém. Nunca enviei flores, poesias, ou fiz algum demonstração de que gostava muito.
O engraçado é que hoje olho para trás e sinto que não vivi esses anos corretamente. Não me deixei sofrer, porém não me senti feliz. Este sentimento já me acompanha há algum tempo e eu decidi mudar esse lado desde que ao terminar meu último (penúltimo?) relacionamento fui confrontado com essa verdade pela namorada (que agora vejo que realmente gostava de mim).
E ontem a solidão se mostrou, de uma forma que só quem guarda sentimentos até que eles transbordem sabe. Também contribuiu o fato de que estou tentando mudar e que agora me sinto mais próximo ao me relacionar. Toda mudança dói.
Houve um lado bom. Liguei para excelentes amigos e escutei o que precisava (thanxs Santana & Doug). Ajudaram-me muito.
Não estou habituado a sentir-me só. Na verdade sempre valorizei meu lado ermitão, de não precisar de ajuda ou companhia no dia-a-dia. Sempre gostei de me manter fechado e de tentar controlar o quanto eu me entregava às namoradas e casos. Meu lado racional e controlador trabalhava tentando me preservar de uma possível decepção, evitando gostar de alguém. Fiz isso por tanto tempo, tornou-se tão arraigado que nunca sofri por alguém nos últimos 10 anos. Não me deixei gostar.
As namoradas sentiam-me distante e os relacionamentos nunca foram longos. Eu sempre pesei o quanto poderia ser magoado e demonstrei até onde elas poderiam ir. Nunca falei que gostava de alguém. Nunca enviei flores, poesias, ou fiz algum demonstração de que gostava muito.
O engraçado é que hoje olho para trás e sinto que não vivi esses anos corretamente. Não me deixei sofrer, porém não me senti feliz. Este sentimento já me acompanha há algum tempo e eu decidi mudar esse lado desde que ao terminar meu último (penúltimo?) relacionamento fui confrontado com essa verdade pela namorada (que agora vejo que realmente gostava de mim).
E ontem a solidão se mostrou, de uma forma que só quem guarda sentimentos até que eles transbordem sabe. Também contribuiu o fato de que estou tentando mudar e que agora me sinto mais próximo ao me relacionar. Toda mudança dói.
Houve um lado bom. Liguei para excelentes amigos e escutei o que precisava (thanxs Santana & Doug). Ajudaram-me muito.
2004/07/16
Conto Meu:Julieta
"Romeu, despoja-te de teu nome e, em troca de teu nome, que não faz parte de ti, toma-me toda inteira!"
(Romeu e Julieta - Uiliam Xeiquispir)
Acordou e olhou para ela. Ficaram assim um bom tempo, olhando um para um outro, aproveitando a preguiça sem nada dizer. Então ela tentou se levantar e, como se só naquele momento se apercebesse da nudez sob os lençóis, gesticulou chamando sua atenção. "Amor, pega uma toalha para mim".
Achou engraçado aquela timidez repentina, como se a luz apagada na noite anterior tivesse escondido a visão do corpo nu. Levantou-se, abriu o armário e satisfez o pedido. "Vou para a sala enquanto você se veste".
Colocou o CD do Roberto enquanto a via entrar no banheiro. "Amor, aumenta um pouco!". Sentou-se e divertiu-se a escutando cantar."Você não sabe, mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez. E tenho medo, de fazer planos, de amar e sofrer outra vez."
Ela abriu a porta timidamente, como se não conhecesse o apartamento, como se não fossem amantes. "Amor, você acha que estou ficando gorda?"."Não, não está". Olhou para o espelho novamente, incrédula. "Tenho que voltar a fazer academia".
Vestiu a calcinha pendurada - "Não olhe!". Depois penteou os cabelos molhados vagarosamente, enquanto conversavam. "Vamos sair amanhã?". "Você gosta muito dessa música,né?"."Reparou no que fiz no cabelo?". "Tenho que me lembrar de pagar as contas"."Amor, pega minha roupa?".
Ele ligou a TV enquanto a esperava. Jornal. Viu-a sair para o quarto e admirou novamente suas coxas."Só um minutinho!".
Finalmente ela voltou, tascou-lhe um beijo e apressadamente abriu a porta. "Tchau, amor". Fingiu desinteresse. "Tchau."
Olhou para a TV, enquanto a solidão chegava e vagarosamente ia tomando conta do apartamento.
(Romeu e Julieta - Uiliam Xeiquispir)
Acordou e olhou para ela. Ficaram assim um bom tempo, olhando um para um outro, aproveitando a preguiça sem nada dizer. Então ela tentou se levantar e, como se só naquele momento se apercebesse da nudez sob os lençóis, gesticulou chamando sua atenção. "Amor, pega uma toalha para mim".
Achou engraçado aquela timidez repentina, como se a luz apagada na noite anterior tivesse escondido a visão do corpo nu. Levantou-se, abriu o armário e satisfez o pedido. "Vou para a sala enquanto você se veste".
Colocou o CD do Roberto enquanto a via entrar no banheiro. "Amor, aumenta um pouco!". Sentou-se e divertiu-se a escutando cantar."Você não sabe, mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez. E tenho medo, de fazer planos, de amar e sofrer outra vez."
Ela abriu a porta timidamente, como se não conhecesse o apartamento, como se não fossem amantes. "Amor, você acha que estou ficando gorda?"."Não, não está". Olhou para o espelho novamente, incrédula. "Tenho que voltar a fazer academia".
Vestiu a calcinha pendurada - "Não olhe!". Depois penteou os cabelos molhados vagarosamente, enquanto conversavam. "Vamos sair amanhã?". "Você gosta muito dessa música,né?"."Reparou no que fiz no cabelo?". "Tenho que me lembrar de pagar as contas"."Amor, pega minha roupa?".
Ele ligou a TV enquanto a esperava. Jornal. Viu-a sair para o quarto e admirou novamente suas coxas."Só um minutinho!".
Finalmente ela voltou, tascou-lhe um beijo e apressadamente abriu a porta. "Tchau, amor". Fingiu desinteresse. "Tchau."
Olhou para a TV, enquanto a solidão chegava e vagarosamente ia tomando conta do apartamento.
2004/07/15
Os 30 anos
Do alto dos meus 29 anos recém-completados, aguardo em contagem regressiva a chegada daquela que é a idade de múltiplas crises: os 30 anos.
Trintões perdem aquela "aura" de adolescentes tardios que podemos ter aos 20. A sociedade passa a cobrar que sejamos senhores responsáveis, ilustres pais de família. Bebedeiras, festas...Como? Ele tem trinta anos. Deveria ter vergonha!
O que dizer de namorar mulheres mais novas? Sair com uma garota de 18 anos passa a ser alvo de preconceitos. Imagine! Você quase pode ter a idade do pai delas!
Mesmo as apresentações passam a ser diferentes. Em vez de perguntarem se vc já é casado, a pergunta passa a ser "Quantos filhos vc tem?"
No entanto, com certeza, o horror deve ser completar 40 anos e viver à sombra dos exames de próstata periódicos.
Trintões perdem aquela "aura" de adolescentes tardios que podemos ter aos 20. A sociedade passa a cobrar que sejamos senhores responsáveis, ilustres pais de família. Bebedeiras, festas...Como? Ele tem trinta anos. Deveria ter vergonha!
O que dizer de namorar mulheres mais novas? Sair com uma garota de 18 anos passa a ser alvo de preconceitos. Imagine! Você quase pode ter a idade do pai delas!
Mesmo as apresentações passam a ser diferentes. Em vez de perguntarem se vc já é casado, a pergunta passa a ser "Quantos filhos vc tem?"
No entanto, com certeza, o horror deve ser completar 40 anos e viver à sombra dos exames de próstata periódicos.
2004/07/14
Tatiana
Há pouco mais de 12 anos em um Carnaval, a conheci. Lembro que a achei bonita, desde a primeira vez que a vi. Ela era (é?) uma mulher do tipo que só se encontra no Brasil: morena de olhos verdes, corpo bem torneado, cabelos lisos pretos.
Na confusão da folia nos encontramos. Após algumas horas de conversa (não, não foi fácil!) terminamos a noite juntos. O Carnaval só tinha mais um dia.
Na noite seguinte combinamos de nos encontrar, na sexta após o Carnaval (não lembro o porquê de não poder ser na quinta). Pra minha surpresa, ela contou-me que a mãe iria fazer doutorado na França (Grenoble); e que iria viajar no domingo(!).
Não conseguimos nos ver novamente. Houve problemas que tinham de ser resolvidos antes da viagem e não houve tempo. Trocamos algumas cartas, que ainda tenho guardadas.
A Tatiana representou um encontro de apenas duas noites. Tudo muito rápido. Cresci e mudei muito desde então. No entanto, de vez em quando, imagino como seria se a reencontrasse. Por que penso nisso? Não sei, talvez por ter sido um amor de Carnaval interrompido. No entanto houve vários outros - faz doze anos. Por que ainda lembro nela? Memórias adolescentes?
Na confusão da folia nos encontramos. Após algumas horas de conversa (não, não foi fácil!) terminamos a noite juntos. O Carnaval só tinha mais um dia.
Na noite seguinte combinamos de nos encontrar, na sexta após o Carnaval (não lembro o porquê de não poder ser na quinta). Pra minha surpresa, ela contou-me que a mãe iria fazer doutorado na França (Grenoble); e que iria viajar no domingo(!).
Não conseguimos nos ver novamente. Houve problemas que tinham de ser resolvidos antes da viagem e não houve tempo. Trocamos algumas cartas, que ainda tenho guardadas.
A Tatiana representou um encontro de apenas duas noites. Tudo muito rápido. Cresci e mudei muito desde então. No entanto, de vez em quando, imagino como seria se a reencontrasse. Por que penso nisso? Não sei, talvez por ter sido um amor de Carnaval interrompido. No entanto houve vários outros - faz doze anos. Por que ainda lembro nela? Memórias adolescentes?
Melancolia
Sinto saudades.
Das brincadeiras no sítio da minha avó. Dos pés de goiaba, do terreno, onde andávamos de bicicleta.
Da primeira namorada. Do primeiro beijo, imitando o casal das novelas.
Das noitadas de bebebedeira com os grandes amigos de Brasília.
Do caldo de cana e da garapa de rapadura, que provava quando viajava com meus pais no fim de semana.
Dos amores de timidez que tive, e que nunca souberam que delas gostava.
Das férias despreocupadas na casa de meus pais.
Dos Carnavais e de seus excessos, hoje tão distantes.
Das brincadeiras no sítio da minha avó. Dos pés de goiaba, do terreno, onde andávamos de bicicleta.
Da primeira namorada. Do primeiro beijo, imitando o casal das novelas.
Das noitadas de bebebedeira com os grandes amigos de Brasília.
Do caldo de cana e da garapa de rapadura, que provava quando viajava com meus pais no fim de semana.
Dos amores de timidez que tive, e que nunca souberam que delas gostava.
Das férias despreocupadas na casa de meus pais.
Dos Carnavais e de seus excessos, hoje tão distantes.
2004/07/09
Thom York is God!
Hoje eu escutei pela enésima vez o clássico do Radiohead "OK Computer". Parece incrível, mas algumas letras, mesmo após decoradas e cantadas diversas vezes mudaram seu significado.
É o caso principalmente (para hoje) de "No Surprises". Hoje, para mim, a letra representa o comodismo de se estar preso a uma rotina diária, a qual, apesar de insatisfatória, de não dar motivos para continuar a segui-la a cada dia, não se consegue abandonar pelo medo da mudança. Lembra bem uma época de minha vida.
No Surprises
A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal.
You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us.
I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide,
with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
Silent silence.
This is my final fit,
my final bellyache,
with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises please.
Such a pretty house
and such a pretty garden.
No alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises please.
É o caso principalmente (para hoje) de "No Surprises". Hoje, para mim, a letra representa o comodismo de se estar preso a uma rotina diária, a qual, apesar de insatisfatória, de não dar motivos para continuar a segui-la a cada dia, não se consegue abandonar pelo medo da mudança. Lembra bem uma época de minha vida.
No Surprises
A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal.
You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us.
I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide,
with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
Silent silence.
This is my final fit,
my final bellyache,
with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises please.
Such a pretty house
and such a pretty garden.
No alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises please.
2004/07/08
Alma Gêmea
Domingo último conversei com um velho amigo, o Dougo. Não conheço pessoa mais especial, seja por suas opiniões e convicções, únicas; seja por insistir em vivê-las, quando seria muito mais fácil apenas falar, e não fazer. Como fazia tempos que não conversávamos (uns 6 meses), Doug não estava atualizado em relação à minha vida.
- Fabee, está namorando?
- No momento não Doug. Estou solto no mundo. Essa vida de nômade dos últimos meses faz com que eu terminasse aquele último namoro ....
- Fabee, não se preocupe, pois Deus irá encontrar a mulher certa para vc.
Após a conversa, essa última frase me fez pensar bastante. Caro leitor, apesar da menção ao nome divino, Dougo não estava tentando pregar para mim. Ele realmente acredita que cada um de nós possui uma Alma Gêmea única, escolhida por Deus e com a qual iremos viver felizes pelo resto de nossas vidas. Foi assim ao encontrar a Tati, esposa e quase mamãe. Impressiona o modo como ele fala da esposa, como se fosse a única mulher no mundo, e como um estava destinado ao outro.
Em um mundo onde é comum primeiro se fazer sexo para depois o casal pensar se deseja ver um ao outro no dia seguinte, meu amigo é um caso único. As pessoas com quem convivo costumam ter casos extraconjugais quando casados - entre homens o comportamento é aceito e tacitamente protegido. Os que da minha idade ainda estão solteiros, possuem um medo crônico de compromisso (assumo que também o tenho); de perder a liberdade ao casar-se ou de engravidar alguém e , em casos crônicos, até mesmo de namorar.
A liberdade em excesso trouxe relacionamentos numerosos, rápidos e fúteis. Não que eu a rejeite; no entanto havia algo naquele namoro restrito de nossos avós que foi perdido nos dias de hoje. Inocência? Talvez. Um pouco de romantismo não faz mal. Talvez apenas a facilidade tenha feito com que hoje, minha geração não dê o devido valor a encontrar a cara metade.
Dougo, tenho orgulho de ser seu amigo.
- Fabee, está namorando?
- No momento não Doug. Estou solto no mundo. Essa vida de nômade dos últimos meses faz com que eu terminasse aquele último namoro ....
- Fabee, não se preocupe, pois Deus irá encontrar a mulher certa para vc.
Após a conversa, essa última frase me fez pensar bastante. Caro leitor, apesar da menção ao nome divino, Dougo não estava tentando pregar para mim. Ele realmente acredita que cada um de nós possui uma Alma Gêmea única, escolhida por Deus e com a qual iremos viver felizes pelo resto de nossas vidas. Foi assim ao encontrar a Tati, esposa e quase mamãe. Impressiona o modo como ele fala da esposa, como se fosse a única mulher no mundo, e como um estava destinado ao outro.
Em um mundo onde é comum primeiro se fazer sexo para depois o casal pensar se deseja ver um ao outro no dia seguinte, meu amigo é um caso único. As pessoas com quem convivo costumam ter casos extraconjugais quando casados - entre homens o comportamento é aceito e tacitamente protegido. Os que da minha idade ainda estão solteiros, possuem um medo crônico de compromisso (assumo que também o tenho); de perder a liberdade ao casar-se ou de engravidar alguém e , em casos crônicos, até mesmo de namorar.
A liberdade em excesso trouxe relacionamentos numerosos, rápidos e fúteis. Não que eu a rejeite; no entanto havia algo naquele namoro restrito de nossos avós que foi perdido nos dias de hoje. Inocência? Talvez. Um pouco de romantismo não faz mal. Talvez apenas a facilidade tenha feito com que hoje, minha geração não dê o devido valor a encontrar a cara metade.
Dougo, tenho orgulho de ser seu amigo.
2004/07/01
Getting Back
Após mais de um mês sem escrever neste espaço, resolvi voltar a preenchê-lo. Muita coisa mudou: trabalho, amigos, cidade, apartamento.... Putz.Vida de Nômade.
O engraçado é que após pouco mais de 1 mês de Manaus já estou sentindo a rotina incomodando. Será que tenho índole de caixeiro-viajante?
O engraçado é que após pouco mais de 1 mês de Manaus já estou sentindo a rotina incomodando. Será que tenho índole de caixeiro-viajante?
2004/05/26
Turismo
Sem querer, buscando um site de turismo, bati o olho em um fórum de estrangeiros (principalmente americanos) sobre viver no Brasil. E o conteúdo revela que os gringos são bastante preconceituosos em relação à nossa terra e as nossas mulheres. Fiz uma seleção de frases mostrada abaixo, omitindo as que estão fora de contexto.
"Brazilian women, more than other women, always want to marry up up up."
"So a car, an apartment, some money to spend on them to take them out for drinks and dinner, and good portuguese is all you need. I never dated these girls more than 1-2 weeks without getting sex."
"For older men, I would recommend the northeast, where it is very common and accepted for young girls to marry older men."
"I maintain that Brasilian girls, "mercenary" or not, are the easiest lays on the planet. I have yet to date a Brasileira that didn't give it up by the second or third date. I am by no means fluent in Portuguese, but with a very rough conversational ability in the laguage, I never had any trouble "cultivating relationships" (also known as "getting a garota in the sack").
"Brazilian women, more than other women, always want to marry up up up."
"So a car, an apartment, some money to spend on them to take them out for drinks and dinner, and good portuguese is all you need. I never dated these girls more than 1-2 weeks without getting sex."
"For older men, I would recommend the northeast, where it is very common and accepted for young girls to marry older men."
"I maintain that Brasilian girls, "mercenary" or not, are the easiest lays on the planet. I have yet to date a Brasileira that didn't give it up by the second or third date. I am by no means fluent in Portuguese, but with a very rough conversational ability in the laguage, I never had any trouble "cultivating relationships" (also known as "getting a garota in the sack").
2004/05/23
Outro Final de Semana
Ela está olhando. Não, não está. Será que ela está olhando? Vou mudar de lugar. Não, não está. Droga, vou conversar com ela. Espere, há alguém próximo dela. Será que está acompanhada? Não, ele saiu. Agora eu falo alguma coisa e começamos a conversar. Espere, não está na hora, a música está muito alta. Vou para mais perto. A música mudou, mas não era essa que eu queria. Mesmo assim, agora eu vou. Estou perto. Como eu faço? Vou tocá-la no ombro. Espere, ela está conversando com a amiga. Quando ela acabar eu vou. Agora eu tenho de ir.
-Oi, tudo bem? Qual o seu nome?
-Olha, eu não estou a fim de conversar, tá?
-Oi, tudo bem? Qual o seu nome?
-Olha, eu não estou a fim de conversar, tá?
Tori
Em uma daquelas descobertas que só a Internet é capaz de mostrar "descobri" (bom eufemismo, não?) o primeiro álbum da Tori Amos de 1992 - Little Earthquakes. Excelente! Eu gosto de mulheres que costumam realizar seus trabalhos musicais sozinhas ( cantoras/compositoras/produtoras ) e até agora a minha preferida era a Aimee Mann (se vc não a conhece, recomendo que procure as letras de suas músicas no Google).
Para mim as mulheres transmitem uma emotividade ao cantar que os cantores não conseguem repetir. Quando é a própria intérprete quem compõe o que canta com letras sobre sua intimidade a canção passa a transmitir de uma forma muito forte os sentimentos da compositora. A Tori além de ter uma voz excelente e bem trabalhada, conseguiu criar letras fortes sem ser piegas (há uma sobre um estupro). O álbum é daqueles que " grudam" em sua mente e fazem vc ficar cantando sem querer...
Para mim as mulheres transmitem uma emotividade ao cantar que os cantores não conseguem repetir. Quando é a própria intérprete quem compõe o que canta com letras sobre sua intimidade a canção passa a transmitir de uma forma muito forte os sentimentos da compositora. A Tori além de ter uma voz excelente e bem trabalhada, conseguiu criar letras fortes sem ser piegas (há uma sobre um estupro). O álbum é daqueles que " grudam" em sua mente e fazem vc ficar cantando sem querer...
Compositoras....
Por que será que não há boas compostoras em Português? Temos boas intérpretes, excelentes escritoras e poetas; no entanto no quesito música as brasileiras deixam a desejar. Em um brainstorming rápido só consegui lembrar-me da Paula Toller com aquelas baladas adolescentes do início do Kid Abelha e da Chiquinha Gonzaga há mais de um século... Mulheres escrevam músicas...
2004/05/06
Da Série Novelas: Novela das Oito
Rogério Borrasca é o rico herdeiro de uma família tradicional. Sua malévola cunhada, Emília é apaixonada por Rogério e faz de tudo para que ele a possua . Rogério apaixona-se por Raquel, parte do núcleo pobre da novela localizado na Zona Norte do Rio. Emília contrata os serviços de Rodriguinho da Moita, trambiqueiro. Rodriguinho ao trocar uma lâmpada é visto na cama de Raquel por Rogério. Rogério é visto na cama de Emília por seu irmão, Arnaldo. Ao tentar pedir desculpas ao irmão, Rogério adentra em seu quarto e percebe a fronha molhada de saliva e Rodriguinho da Moita no banheiro, com o fundo musical " Como uma Deusa" , de Rosana.
Fim
Fim
Charme
Algumas mulheres tem um quê inexplicável que as torna irresistíveis. Não é necessário beleza física ou inteligência notável.Resume-se a algo em seus gestos, olhares e maneiras de tratar que as fazem parecer inalcançáveis e distintas do restante.
O mais interessante é que o charme não se revela para um só homem, em geral todos os reconhecem.
Apesar de percebido por todos, ninguém tem a chave para a atração que exerce.
Hoje um grupo de amigos comentou sobre o charme de uma conhecida, o qual eu já havia percebido há algum tempo. O mais interessante é que nunca havíamos conversado, mas ainda assim já a achava charmosa. Diante de sua passagem, escutei a frase, que já havia se repetido diversas vezes, desde minha adolescência:
- Essa mulher tem um charme que não sei explicar!
O mais interessante é que o charme não se revela para um só homem, em geral todos os reconhecem.
Apesar de percebido por todos, ninguém tem a chave para a atração que exerce.
Hoje um grupo de amigos comentou sobre o charme de uma conhecida, o qual eu já havia percebido há algum tempo. O mais interessante é que nunca havíamos conversado, mas ainda assim já a achava charmosa. Diante de sua passagem, escutei a frase, que já havia se repetido diversas vezes, desde minha adolescência:
- Essa mulher tem um charme que não sei explicar!
2004/05/05
Conto Meu
Da série novelas: Novela Mexicana
Maria das Mercês era órfã, tendo sido criada por Maria da Paz, uma megera que a obrigava a fazer os mais ignóbeis serviços domésticos. Um dia ao lavar o chão de sua calçada leva um banho de lama do carro de Pablo, um bonito rapaz herdeiro de uma conhecida indústria de sombreros. Ocorre amor à primeira vista entre os dois, com fundo musical de Julio Iglesias. Maria do Rosário, mãe de Pablo, logo se posiciona contra o relacionamento, proibindo-o de ir ao encontro de seu amor. Mercês chora copiosamente com a proibição. Pablo foge de casa e com a ajuda de Maria das Dores, sua tia ovelha negra da família, vai morar em uma casa onde ocorre seu primeiro encontro amoroso com Mercês. Os dois vivem momentos felizes, passeando e amando-se, ao som de " Isto é Tremendo" de Los Tremendos. A mãe de Pablo vai ao encontro do filho onde, em um momento agonizante, conta-lhe que ele e seu amor, oh desespero, são irmãos. Como prova, apresenta uma foto de Maria do Carmo, mãe morta de Mercês, com seu pai já morto. Pablo bebe tequila até morrer. Maria das Mercês, ao saber o destino de seu amor, chora copiosamente ao som de "Borbulhas de Amor" de Luís Miguel.
FIM
Maria das Mercês era órfã, tendo sido criada por Maria da Paz, uma megera que a obrigava a fazer os mais ignóbeis serviços domésticos. Um dia ao lavar o chão de sua calçada leva um banho de lama do carro de Pablo, um bonito rapaz herdeiro de uma conhecida indústria de sombreros. Ocorre amor à primeira vista entre os dois, com fundo musical de Julio Iglesias. Maria do Rosário, mãe de Pablo, logo se posiciona contra o relacionamento, proibindo-o de ir ao encontro de seu amor. Mercês chora copiosamente com a proibição. Pablo foge de casa e com a ajuda de Maria das Dores, sua tia ovelha negra da família, vai morar em uma casa onde ocorre seu primeiro encontro amoroso com Mercês. Os dois vivem momentos felizes, passeando e amando-se, ao som de " Isto é Tremendo" de Los Tremendos. A mãe de Pablo vai ao encontro do filho onde, em um momento agonizante, conta-lhe que ele e seu amor, oh desespero, são irmãos. Como prova, apresenta uma foto de Maria do Carmo, mãe morta de Mercês, com seu pai já morto. Pablo bebe tequila até morrer. Maria das Mercês, ao saber o destino de seu amor, chora copiosamente ao som de "Borbulhas de Amor" de Luís Miguel.
FIM
POR QUE AS MINHAS PANQUECAS NÃO DÃO CERTO?
Receita de Panqueca:
Ingredientes:
Massa
- 1 xícara (chá) de leite
- 1/4 xícara (chá) de óleo
- 1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
- 2 ovos
- sal a gosto
Recheio
- 1 colher (sopa) de óleo
- 1 cebola picada
- 250 g de carne moída
- 4 tomates maduros
- sal
Modo de Preparo:
Bater o leite, a farinha de trigo, os ovos e o sal no liqüidificador.
Fazer as panquecas. Reservar. Para o recheio aqueça o óleo e doure a cebola. Acrescentar a carne e o sal, deixar cozinhar. Bater os tomates no liqüidificador e coar. Juntar à carne e deixar apurar.
Receita de Panqueca:
Ingredientes:
Massa
- 1 xícara (chá) de leite
- 1/4 xícara (chá) de óleo
- 1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
- 2 ovos
- sal a gosto
Recheio
- 1 colher (sopa) de óleo
- 1 cebola picada
- 250 g de carne moída
- 4 tomates maduros
- sal
Modo de Preparo:
Bater o leite, a farinha de trigo, os ovos e o sal no liqüidificador.
Fazer as panquecas. Reservar. Para o recheio aqueça o óleo e doure a cebola. Acrescentar a carne e o sal, deixar cozinhar. Bater os tomates no liqüidificador e coar. Juntar à carne e deixar apurar.
2004/05/04
Conto Meu
O pássaro
baseado em um poema de Charles Bukowski
A mulher tinha um pássaro e não gostava dele. Odiava o olhar triste e melancólico com que seus olhos o fitavam. Odiava sua plumagem e sua presença em sua vida. No entanto, dele não conseguia desfazer-se.
Por isso o maltratava. Tentava diminuir a gaiola, entortando seus arames. Deixava-o escondido, longe da luz e dos olhares alheios. Isolava-o, fechando-o atrás de uma pesada porta. Ninguém sabia que o possuía, nem onde estava.
Mesmo assim o pássaro sobrevivia e teimava em cantar. A mulher persistia em tentar matá-lo. Bebia em noites perdidas, procurava a companhia de amigos pagos, envenenava-se com drogas . Enganava-se afirmando aproveitar a vida sabendo que a estava perdendo.
Entretanto, ao amanhecer ainda podia escutar seu canto e nunca conseguia conter as lágrimas.
O pássaro
baseado em um poema de Charles Bukowski
A mulher tinha um pássaro e não gostava dele. Odiava o olhar triste e melancólico com que seus olhos o fitavam. Odiava sua plumagem e sua presença em sua vida. No entanto, dele não conseguia desfazer-se.
Por isso o maltratava. Tentava diminuir a gaiola, entortando seus arames. Deixava-o escondido, longe da luz e dos olhares alheios. Isolava-o, fechando-o atrás de uma pesada porta. Ninguém sabia que o possuía, nem onde estava.
Mesmo assim o pássaro sobrevivia e teimava em cantar. A mulher persistia em tentar matá-lo. Bebia em noites perdidas, procurava a companhia de amigos pagos, envenenava-se com drogas . Enganava-se afirmando aproveitar a vida sabendo que a estava perdendo.
Entretanto, ao amanhecer ainda podia escutar seu canto e nunca conseguia conter as lágrimas.
2004/05/03
No domingo fui a Niterói acompanhado de um velho amigo, Daniel. Almoçamos em um excelente local: um rodízio de comida japonesa! O melhor é que havia uma variedade de pratos quentes, os quais permitiam que não se enjoasse da comida japonesa (como alguém consegue sobreviver à base de uma dieta sushis e sashimis? Enjoa, como tudo que é bom!).
Após o almoço, praia e a incansável busca da mulher perfeita. O único problema é que ela recusou-se a aparecer: o tempo não ajudou e poucas pessoas estavam na areia. Ainda irei encontrá-la no Rio.
Após o almoço, praia e a incansável busca da mulher perfeita. O único problema é que ela recusou-se a aparecer: o tempo não ajudou e poucas pessoas estavam na areia. Ainda irei encontrá-la no Rio.
Escrever sobre o quê? Vejamos....Final de semana? Foi mais agitado do que esperava. Sábado fiz uma de minhas "maluquices". Acho que todos têm as suas e uma de minhas principais é andar. Costumo andar desgarrado, em longas distâncias, mesmo que haja outras opções de transporte mais confortáveis. Pois bem, no sábado fui do Botafogo ao Jardim Botânico a pé no período de 13 às 16 horas com meia hora de almoço, o qual foi um pouco surreal. Deixei a fome apertar até que se tornasse quase incontrolável e meu olhar espantasse os cachorros na rua para então escolher o primeiro boteco à vista. Quando o prato chegou e vi o prato empapado de óleo, algo na minha consciência avisou-me que a comida devia estar horrível, no entanto meu apetite fazia com que o paladar ignorasse pensamentos a respeito.
Ao final o Jardim Botânico terminou por revelar-se um excelente passeio, o qual recomendo a todos.
Ao final o Jardim Botânico terminou por revelar-se um excelente passeio, o qual recomendo a todos.
2004/04/29
Estou tendo de obter certidões em fóruns da Justiça estadual e federal no Rio e em Brasília, o que tem me permitido fezer comparações relacionadas à burocracia no Serviço Público.
Em Brasília a Certidão de Ações e Execuções Cíveis e Criminais da Justiça Federal pode ser obtida gratuitamente na Internet e on-line. No Rio a mesma certidão na Seção Judiciária Federal requer uma longa fila para o pagamento da taxa de 42 centavos e outra fila para a obtenção da certidão após 3 dias úteis. No entanto nada se compara à burocracia para a obtenção da certidão equivalente na Justiça Estadual do Rio. O cidadão é obrigado a enfrentar 3 filas para pagar (isso mesmo, 3!!) uma taxa de R$18,34 em cada guichê (total de R$55,02 ). Após 5 dias úteis é necessário enfrentar outros 3 guichês para a obtenção de 3 certidões diferentes relativas às Seções da Justiça Estadual.
Há alguma lógica nisso?
Em Brasília a Certidão de Ações e Execuções Cíveis e Criminais da Justiça Federal pode ser obtida gratuitamente na Internet e on-line. No Rio a mesma certidão na Seção Judiciária Federal requer uma longa fila para o pagamento da taxa de 42 centavos e outra fila para a obtenção da certidão após 3 dias úteis. No entanto nada se compara à burocracia para a obtenção da certidão equivalente na Justiça Estadual do Rio. O cidadão é obrigado a enfrentar 3 filas para pagar (isso mesmo, 3!!) uma taxa de R$18,34 em cada guichê (total de R$55,02 ). Após 5 dias úteis é necessário enfrentar outros 3 guichês para a obtenção de 3 certidões diferentes relativas às Seções da Justiça Estadual.
Há alguma lógica nisso?
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